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19 de agosto de 2013

Confira o que foi discutido no Fórum Desafios da Educação

Como engajar o aluno multimídia em sala de aula? Como tornar o ensino divertido? Quais são as tendências para o futuro da educação? Estas e outras questões foram discutidas no Fórum Desafios da Educação, que aconteceu semana passada em São Paulo. Mais de 200 líderes, gestores e professores encontraram-se na Universidade Anhembi Morumbi para compartilhar suas ideias sobre o futuro do ensino, suas experiências dentro e fora da sala de aula e muita inspiração. Confira uma breve recapitulação feita pelo Blog Desafios da Educação sobre tudo o que foi discutido no evento: Como construir uma nova educação? Felipe Anghinoni, um dos fundadores da escola de atividades criativas Perestroika, abriu o Fórum discutindo as vertentes fundamentais da educação do futuro: 1. Tecnologianotebookstabletssmartphones. Aplicativos, games, aulas online. Você consegue imaginar uma sala de aula sem o uso de tecnologia, hoje? Além dos dispositivos, Felipe argumentou que a nova educação irá contar também com a ajuda de análises de desempenho dos alunos para customizar suas rotas de aprendizagem. 2. Descentralização: estudantes ensinando outros estudantes. Professores aprendendo com alunos. A escola do futuro não é mais só de um para muitos, mas também funciona em uma estrutura de rede, com diferentes pontos de contato. 3. Personalização: nem todo mundo aprende da mesma forma. Alguns são mais visuais, outros preferem anotar. Em breve, a educação será cada vez mais customizada para atender as necessidades de cada aluno. 4. Experiência: as aulas puramente expositivas já não são mais suficientes para a Geração Y – os jovens querem ser conquistados também pela emoção. Aqui, vale a máxima de Confúcio: Diga-me e esquecerei. Ensina-me e aprenderei. Envolva-me e entenderei. 5. Narrativa: ensinar por meio de histórias, o chamado storytelling, é uma forma eficiente de instigar alunos totalmente conectados ao mundo visual. 6. Gameficação: assim como as histórias, os games, com os seus badges, suas fases, seufeedback constante, conseguem divertir e ensinar ao mesmo tempo.

Felipe acredita que não há um modelo único para o sucesso do ensino do futuro.

7. Desescolarização: reaprender a aprender. Essa é a ideia da desescolarização, movimento que defende que a escola e a universidade não são os únicos locais para adquirir conhecimento. 8. Da escola para a vida: como ser um bom amigo? Como lidar com os seus filhos? De que forma as mulheres podem se empoderar? Felipe Anghinoni acredita que a escola do futuro precisará tratar também de temas corriqueiros da vida. Aprender errando: o uso de games no ensino Segundo palestrante do dia, João Mattar, professor da Universidade Anhembi Morumbi, compartilhou com os participantes do Fórum um pouco do seu vasto conhecimento sobre a utilização de games em sala de aula. Para o pesquisador, os jogos são uma estratégia eficiente de ensino porque, além de envolver os alunos, também ajudam a desmistificar os erros.

“Ninguém joga games com medo de errar. Errando a gente aprende.”

No modelo tradicional de ensino, o erro é punitivo. Com os games, o erro torna-se parte fundamental do processo de aprendizagem. Em uma apresentação rica e cheia de exemplos, João Mattar enfatizou que jogos não são apenas mais um recurso pedagógico para as aulas. Eles representam, principalmente, uma nova forma de entender e organizar todo o sistema de ensino. Gameficar uma aula não é apenas usar um jogo, mas mudar toda a estrutura de ensino para que os alunos tenham feedback constante, aprendam em diferentes níveis e conforme a sua capacidade. Um desafio e tanto! Seis tendências para a educação do futuro Katie Blot, vice-presidente da Blackboard e última palestrante da manhã, conversou com o público sobre as principais tendências para o futuro do ensino. Katie, que já trabalhou como CIO para o Federal Student Aid nos Estados Unidos, destacou seis pontos fundamentais que irão transformar o modo como ensinamos e aprendemos:

Katie defende que as Instituições devem experimentar com novas tecnologias.

Educação global: que tal aprender inteligência artificial com um professor de Stanford? Ou ter aulas de matemática no MIT? Por meio dos cursos online abertos e massivos, os chamados MOOCs, é possível assistir a aulas de qualquer parte do mundo. Estudantes não tradicionais: copiar a matéria do quadro-negro? Ficar sentado, passivo, enquanto ouve o professor explicar a disciplina? Essas técnicas já estão ultrapassadas para os estudantes de hoje, que querem participar, interagir e contribuir para a sua própria aprendizagem. Modelos alternativos de consumo: consumo colaborativo e espaços de coworking já são práticas comuns no mundo dos negócios. Nos próximos anos, a expectativa é que modelos alternativos de consumo também avancem no setor da Educação. Ensino centrado no aluno: em vez de focar apenas no conteúdo a ser transmitido, o ensino do futuro se preocupará cada vez mais em atender e envolver os estudantes multimídia. Big data: dados quantitativos e qualitativos sobre como aprendemos serão essenciais para moldar a sala de aula do futuro e customizar cada vez mais o ensino para atender aos diferentes perfis de estudantes. Mobilidade: ensino a qualquer hora, em qualquer lugar. Os alunos de hoje buscam uma sala de aula expandida, disponível não apenas nos horários padrão. Workshops e cases Durante a tarde, os participantes puderam escolher entre três workshops para aprofundar o debate sobre os desafios da educação: Orlando Júnior, da Kroton, compartilhou sua experiência sobre como produzir conhecimento em larga escala sem perder a qualidade; Ana Karin Nunes, da Feevale, mostrou suas técnicas bem-sucedidas para engajar os professores no uso de novas tecnologias; e José Trinta, do IBMEC, divulgou os métodos que a sua Instituição emprega para internacionalizar o conhecimento. As últimas palestras do dia ficaram por conta de Janes Tomelin, professor da Anhembi Morumbi, e Roberto Paes, diretor da Fábrica de Conhecimento da Estácio. Janes e Roberto apresentaramcases sobre como suas Instituições lidam com as dificuldades e inovações promovidas pelo ambiente de ensino digital.

Janes Tomelin aproximou-se do público para compartilhar suas experiências.

Roberto Paes mostrou como garante a qualidade de ensino entre as diferentes unidades da Estácio.

Após mais de sete horas de palestras, conversas e discussões, o Fórum mostrou a importância de compartilharmos nossas experiências e nossos desafios para, juntos, idealizarmos e construirmos o futuro da Educação. Ainda há muito o que aprender, mas o caminho já está trilhado, como afirmou o participante Rafael Mota, do Mackenzie: “O Fórum ajudou a demonstrar que todos estamos juntos no mesmo processo, uns mais avançados, outros começando, mas todos aprendendo como revolucionar algo que ainda está ligado às raízes originais.” E que venham os próximos Desafios da Educação! Fonte: Desafios da Educação