Blog

13 de Janeiro de 2016

O quê nos tira o sono – lidando com a próxima “grande novidade” na educação superior

Este texto foi escrito por Brian D. Voss, membro do Conselho Consultivo da Blackboard. O Conselho, composto por líderes do ensino superior de instituições e organizações em todos os Estados Unidos, fornece feedback sobre tecnologia, soluções, estratégia corporativa e temas-chave que afetam o ensino superior hoje, bem como apoia atividades de liderança da Blackboard.

Em uma recente reunião do Conselho Consultivo da Blackboard, me perguntaramo que tirava o meu sono à noite, quando era um CIO (Diretor de TI). Ah, os bons e velhos dias de noites sem dormir. Uma coisa que eu posso dizer sobre ser um CIO aposentado é que há muito mais boas noites de sono.

No entanto, meu trabalho como consultor, muitas vezes, me coloca diretamente em contato com os meus colegas e amigos CIOs estressados, então esta é uma questão válida a ser ponderada. Quando eu era um CIO, uma infinidade de coisas me mantinha acordado à noite:

  • A preocupação com a segurança da minha rede no campus e dados institucionais;
  • A capacidade da minha organização para atrair e reter talentos;
  • Mudanças no corpo docente, a forma como se ensina e o papel da TI nessa mistura;
  • As demandas de pesquisadores de ponta para infraestrutura online; desafios de financiamento provocados por condições econômicas no estado;
  • E muitos outros problemas conhecidos e mencionados em muitas listas.

Mas uma pergunta que não está em nenhuma lista e ainda assim estava sempre em minha mente era: “Qual será ‘a próxima grande novidade’ e como encontrar recursos para lidar com ela?”

No passado, muitas dessas “próximas grandes novidades” chegaram como um furacão. Às vezes você tem um monte de avisos e tem tempo para se preparar (criar estoques e pedir conselhos). Mas outras vezes a tempestade se materializa de forma rápida e chega de repente, com a reação sendo a ordem do dia.

Claro, há muitos exemplos de “tempestades” que eu poderia listar. Mas vamos olhar para três. O que nós podemos, no ensino superior, fazer quando elas acontecem?

Infra-estrutura de internet insuficiente para suportar a demanda repentina

A tempestade: Quando smartphones e tablets explodiram nos nossos campus no outono de 2007, muitos de nós ficamos com redes sem fio lamentavelmente subdimensionados para lidar com alunos que tem até três dispositivos em suas mochilas  e que necessitam de conexão.

Isto desafiou nossa capacidade de adicionar infra-estrutura de pessoal para fazer o trabalho e financiamento para adquirir hardware. Além disso, nós estávamos lutando para lidar com o desafio de uma disponibilidade cada vez menor de endereços IPv4.

Como nós lidamos com isso: O déficit de WiFi foi abordado ao se investir dinheiro e esforço pessoal; instalar mais pontos de acesso sem fio e controladores. Para abordar a questão do espaço de endereços de rede, investimos em reengenharia de nossas redes de campus para usar endereços privados, e uma eventual e mais estratégica mudança para o IPv6.

Como o tempo passou, este acabou por ser um problema sem fim, enquanto mais e mais dispositivos e sua demanda por acesso continuam a crescer. Eventualmente, pensamos que um dia conseguiremos equilibrar essa equação, – embora ainda não tenha acontecido. Mas este desafio provavelmente já esteja bem mapeado e previsto por muitas instituições, e por nós.

O ensino e a aprendizagem passam a ser processos, também,tecnológicos

A tempestade: Em meados dos anos 1990, o ensino e a aprendizagem abriram as portas para o uso de ferramentas de tecnologia da informação para melhorar os cursos, com os então chamados sistemas de administração de cursos (CMS, na sigla em inglês).

Tivemos algum tempo para prever essa chegada, pois a aderência do corpo docente foi gradual. Muitas instituições aplicaram o que já tinham feito com outras formas de sistemas corporativos – nós escrevemos nosso próprio CMS ecriamos aplicativos específicos do campus que não seriam sustentáveis, e a maioria dos quais não estavam satisfazendo professores e alunos.

Como nós lidamos com isso: A pedagogia habilitada por TI eventualmente levou à utilização de sistemas desenvolvidos por fornecedores,soluções abertas e soluções em comunidade. Hoje, quase ninguém está “curtindo sozinho” e a maioria das Intituições tem um ambiente virtual de aprendizagem implantado.

Blackboard, Instructure, Moodle, entre outras plataformas, estão fornecendo uma infinidade de soluções para instituições. O desafio atualmente é escolher de forma sábia e apoiar sua utilização de forma adequada no campus, e essas soluções continuam a evoluir e expandir suas ofertas e utilidades.

Eu sugeriria que, já que estamos longe de superar essa tempestade, nós utilizemos as ferramentas necessárias para envolver nossos estudantes e corpo docente. Mudar e incluir um ambiente virtual de aprendizagem, como eu já mencionei, é um desafio significativo. Mas provavelmente não mantém muitos de nós acordados à noite.

A crescente necessidade de uma capacidade de internet melhor

A tempestade: Também em meados de 1990, enfrentamos um desafio que se desenvolveu rapidamente sob a forma de uma necessidade insaciável de banda larga, alimentando a demanda por redes até então frágeis e tênues.

Já não estávamos apenas lidando com o fluxo do tráfego de e-mails e comunicação, mas agora a internet comercial estava construindo demanda em nossos campus para um conjunto mais amplo de usos de banda larga. Algumas destas necessidades eram acadêmicas e de pesquisa, mas muitas não eram. Lutamos para adicionar 56 circuitos kilobit e sinais digitais, o que fazemos a preços gigantescos das operadoras de comunicação comerciais.

Como nós lidamos com isso: Este desafio foi resolvido de duas maneiras. Em primeiro lugar, a comunidade se reuniu e fez investimentos significativos na construção de nossa própria rede com foco acadêmico e em pesquisa.

Trinta e quatro instituições fizeram uma aposta para lançar o Internet2, construindo uma rede e comunidade onde a rede pode até ser o propósito principal, mas também promove colaboração e inovação. A partir deste esforço, estados e regiões construíram uma infra-estrutura de  de fibra óptica para dar suporte a esta rede nacional de pesquisa, aumentando ainda mais os recursos e reduzindo custos.

A segunda maneira foi que o crescimento mais amplo de aplicações de Internet e serviços utilizados por todos, levou a um crescimento em ofertas comerciais (e descida de preços) em todo o mundo. É este último exemplo que eu acho intrigante, considerando os motivos para se perder o sono pensando sobre “a próxima grande novidade”.

Eu não sei que novidade é essa  – ninguém sabe – mas algo está surgindo, e eu me preocupo, tendo as necessidades de ensino superior em mente,  que simplesmente jogar recursos ou esperar que o mercado comercial a resolva não será a forma como será abordada e solucionada.

Em meados dos anos 1990, os tempos financeiros eram diferentes. Essas trinta e quatro instituições tinham recursos disponíveis para aplicar na construção da plataforma que iria fornecer a solução para o desafio. Hoje, eu tenho certeza que todo mundo está sem o financiamento de investimento necessário para se lançar no que poderia ser a próxima grande novidade.

Orçamentos institucionais foram aparados para um ponto em que há muito pouco (ou nenhum) dinheiro discricionário para investir. E já não estamos em posição de tomar riscos significativos. Estamos lidando não apenas com todas as questões que consideramos prioritárias, como também com as que estão fora do nosso radar e irão aparecer como tornados e tempestades.

CIOs estão correndo para acompanhar as mudanças, e estão sob pressão para serem economicamente sustentáveis e terem eficiência de resultados. Se nós não podemos mostrar que o investimento vai ser compensado, não apenas eventualmente, mas imediatamente, nós provavelmente não seremos capazes de fazer esses investimentos.

Não é uma questão de ter a coragem, a maioria dos CIOs simplesmente não têm a flexibilidade de recursos para fazê-lo. Então, quando “a próxima grande novidade” aparece, eu me preocupo que uma das ferramentas de maior sucesso que tivemos no passado, a comunidade se unindo para investir na criação de algo para resolver o desafio, não está mais disponível para nós.

A maioria das empresas de tecnologia têm orçamentos de pesquisa e desenvolvimento para evoluir produtos e serviços existentes e criar novos. Esses orçamentos podem não ser tão grandes quanto já foram, mas eles ainda estão lá. Eu não vejo uma mentalidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento no ensino superior ao nível institucional, muito menos nas mãos do CIO.

Isto é especialmente verdadeiro se levarmos em consideração a diminuição potencial do escopo (e orçamento) do papel do CIO. Hoje, as margens financeiras em nossas instituições são tão apertadas e a tolerância ao risco é tão baixa que, a menos que o desafio seja claramente afirmado e a necessidade sentida com urgência em toda a amplitude do ensino superior, a vontade coletiva para agir pode não se materializar.

E pior, eu me preocupo que, mesmo que o perigo seja claro e presente, a flexibilidade para fazer até mesmo uma aposta certeira pode não existir. Como eu cheguei ao fim desta epístola, você pode estar esperando que eu vá ter alguma sabedoria a respeito de uma solução. E infelizmente eu não tenho.

Eu não acho que nós podemos gastar da forma que gostaríamos para abordar essa tempestade que se aproxima (seja ela qual for), porque, bem, nós não temos o dinheiro para investir. Podemos contar com o setor comercial para resolvê-la para nós? Acho mais provável que este setor seja o que produz a tempestade, quando ele chega ao mercado com “a próxima grande novidade”.

E por causa das pressões de orçamentos apertados e expectativas tremendas para o sucesso de qualquer investimento, eu me preocupo que uma massa crítica de investimentos feitos pelo CIO na comunidade possa não se materializar. Até então, eu acho que um monte de CIOs terão algumas noites sem dormir. E alguns aposentados também.

Fonte: Blackboard