“Uso da tecnologia na educação precisa ser planejado” diz gerente de desenvolvimento de negócios para educação da Intel

A sala de aula tecnológica imaginada pela Intel

A Intel divulgou nesta semana um novo recorte de seu “Global Innovation Barometer”, pesquisa que ouviu 12 mil pessoas em oito países. Batizado de “Classroom of the Future” (“Salas de Aula do Futuro”, em tradução livre), o estudo foi focado em educação – e o resultado mostrou que, no Brasil, a 81% dos entrevistados acreditam que o uso de tecnologia nas escolas é inevitável, e que os investimentos do país devem focar mais em um suporte tecnológico para pedagogos. Ao todo, 77% dos brasileiros ouvidos para a pesquisa acreditam que “escolas e professores devem se apoiar mais na tecnologia para melhorar o sistema educacional”. É um número relativamente maior do que o visto no resto do mundo (69%), e ainda é apoiado pelos 57% dos entrevistados que acreditam que deve haver mais educação tecnológica na escola e pelos 65% que veem uma possível melhora no relacionamento entre professor e aluno com a maior adoção de recursos avançados. Obtidos entre julho e agosto do ano passado pela Peen Schoen Berland, os números podem até parecer surpreendentes, mas não deixaram Ed Paoletti, gerente de desenvolvimento de negócios para educação da Intel, tão surpreso assim. INFOconversou com o executivo para falar um pouco da pesquisa e das iniciativas da empresa dentro da área – e a entrevista completa você confere abaixo. INFO: Primeiro, o que você achou dos números mostrados pela pesquisa? Ed Paoletti: Essa expectativa otimista do brasileiro em relação ao uso da tecnologia é algo que eu vejo como realmente positivo. Pelos alunos e pelos professores, isso pode trazer uma melhora na educação. E acho até que essa visão [dos entrevistados para a pesquisa] faz muito sentido, até porque a Intel tem uma atuação forte em tecnologia na educação, que já vem de muitos anos – e nós acreditamos que o resultado dessa pesquisa é um reflexo da realidade, de que a tecnologia, quando bem aplicada, pode sim trazer benefícios e uma melhora nos resultados da educação, do ensino e da aprendizagem. Por bem aplicado, você quer dizer o quê? Ed Paoletti: Para você poder implantar um projeto de tecnologia na educação, vários aspectos precisam ser trabalhados. E até, de certa forma, seguindo uma ordem, para que o resultado final seja bom. Um ponto fundamental, por exemplo, é a existência de uma política clara para o uso de tecnologia na educação. Quando falamos de governo, é uma política pública. Se for uma instituição privada, é preciso haver uma norma muito específica, colocando objetivos claros para essa adoção. A partir delas, você explica um caminho. INFO: Mas essa parte de definir a importância é só um “primeiro passo”, não? Ed Paoletti: Quando falamos de educação pública, por exemplo, a política estabelecida apenas começa com a importância do uso da tecnologia na educação. A partir disso, outros pontos fundamentais vão entrando na fila. A formação e o desenvolvimento dos professores, por exemplo: é essencial que eles estejam bem informados na questão das próprias disciplinas com as quais eles trabalham e na da tecnologia, que pode ser uma ferramenta importante para o desenvolvimento do trabalho dele no processo de ensino a aprendizagem. Isso sendo colocado como política faz com que surjam programas governamentais em todos os níveis, para impulsionar a formação de professores. E esse é um ponto. Outro é definir como os conteúdos educacionais e didáticos serão trabalhados dentro da política da escola. Uma vez que você tem um currículo já bem definido, como começar a trazer elementos digitais para ser trabalhados dentro do projeto? Existe uma grande seleção que pode ser feita, com vários tipos de conteúdo, abertos, livres ou comerciais. E depois, para avaliar os resultados, você tem que pensar em quais são as métricas que irá utilizar para fazer o acompanhamento da implementação do projeto, a partir dos objetivos que você quer atingir. INFO: E como são definidas as tecnologias que serão usadas em uma iniciativa assim? Ed Paoletti: Escolhida toda a estratégia, vem essa questão. E aí entram todos os requisitos para poder iniciar um projeto assim: conectividade, intraestrutura da escola… Quando se fala de Brasil, essa última parte passa até por saber se a escola tem alimentação de energia suficiente para comportar muitos equipamentos funcionando dentro dela. Todos esses aspectos têm que ser pensados, trabalhados dentro de um projeto, de um cronograma. É algo bastante complexo, e a implementação vai ser em fases – a tecnologia começa a entrar na escola, mas de forma gradual. Primeiro os professores precisam se apropriar do uso da tecnologia, fazer seus planejamentos de aula usando ferramentas tecnológicas. E a partir disso, ela vai chegando dentro da sala de aula, para os alunos – uma etapa bem evoluída em uma boa implementação. INFO: Em suma, é algo bem mais complexo do que aquela ideia de dar um tablet na mão de criança Ed Paoletti: Exato, é muito além disso, porque se você coloca um tablet ou qualquer equipamento de uma vez na mão dos alunos, você causa uma ruptura, e os resultados são imprevisíveis. Pode acontecer de a experiência fazer a escola entrar em um caos de conectividade e de dispersão na sala de aula, deixando o professor complemente perdido, sem saber por onde começar, por exemplo. Mas também pode ser que, de repente, o docente, até por uma natureza dele mesmo, por já ter trabalhado com isso anteriormente, consiga fazer esse trabalho em sala de aula. Porque a grande dificuldade é essa: como o professor vai fazer essa coordenação da sala, nesse novo cenário em que os alunos estão todos conectados? Se não for bem coordenado, dentro de um processo planejado, pode gerar o caos. É claro que aí são várias linhas, e há opiniões diferentes quanto a isso. Existem aqueles que acreditam que tudo tem que entrar primeiro na bagunça mesmo, para depois naturalmente se encontrar. Ou aqueles a favor do planejamento, algo mais ortodoxo – e a minha opinião pende mais para esse lado. INFO: Você se lembra de algum exemplo real de boa implementação de tecnologia na educação? Ed Paoletti: Vi acontecer em escolas privadas, que também têm esse perfil mais ortodoxo. Primeiro, em termos de tecnologia, ela começou com os laboratórios de informática e partiu para os computadores na sala de aula, mas voltados para projeção de conteúdo, basicamente. Depois, começaram com o uso de tablets nas primeiras séries, da pré-escola, para fins lúdicos, com games e apps artísticos até. E agora eles estão iniciando a experiência no ensino fundamental. Escolheram o novo ano, no caso, e todos os alunos de lá vão usar tablets. Mas teve um processo por trás: quais aplicativos seriam utilizados em cada disciplina? Em que momentos a tecnologia seria inserida dentro do plano de aula? Isso dando resultado, certamente será expandido para outras salas de aula. Há, portanto, formas e formas, mas eu diria que aquela com a maior chance de sucesso é a pensada – e que envolva inclusive coisas muito simples. Por exemplo, se você entra em uma sala de aula, a rede Wi-Fi tem algum problema e o professor não sabe resolver e não tem quem chamar: ele pode perder metade da aula para tentar arrumar e não conseguir. Em uma ocorrência assim, qual o plano B? Como o docente sai dessa situação sem perder o fio da meada? Quem é que vai de fato ter esse papel de ajudar o professor a fazer a tecnologia funcionar? Tudo precisa ser o mais transparente possível para ele dentro da sala. Até porque o objetivo dele não é conhecer a ferramenta a fundo, a ponto de saber resolver um problema técnico. Tudo isso tem que ser pensado. INFO: Você mencionou que a Intel já trabalha com a educação faz alguns bons anos. Quais as iniciativas principais da empresa hoje nessa área? Ed Paoletti: Nossa primeira atuação na educação foi (e ainda é) ligada à formação dos professores. Começou lá atrás, há mais de 10 anos, com programas do tipo, para auxiliá-los no uso de tecnologia. E esses programas continuam, são feitos normalmente em convênios com governos ao redor do mundo. No Brasil, já foram mais de 300 mil docentes formados por essas iniciativas, que visam ajudar mesmo os que não tenham nenhum contato com tecnologia a desenvolver planos de aula utilizando-a – e até com pensamentos em torno do ensino voltado a projetos, para o ensino multidisciplinar. E começou aí, mas visando mais o uso laboratorial de tecnologia na escola. Então, cerca de oito anos atrás, começaram os primeiros projetos mundiais de “um computador por aluno”, e começamos a criar voltados para isso. Nosso netbook educacional surgiu aí, e começou a ser trabalhado com governo, inclusive o do Brasil. Em cima disso, desenvolvemos software que acompanhavam essa plataforma educacional, e hoje estamos com tablets híbridos, que viram notebooks. E essa tecnologia, claro, é pensada, inclusive na parte da robustez – as implementações podem ser feitas com crianças, que jogam coisas sobre o aparelho. A ideia também envolve tecnologias que inibem o furto do equipamento, programas voltados para a colaboração em sala de aula, entre outros pontos. INFO: Recentemente a Intel adquiriu a Kno, que é voltada para gestão e distribuição de conteúdos. Foi uma mudança de rumos ou mais uma ampliação dos atuais mesmo? Ed Paoletti: Fomos subindo na cadeia de valor, de solução mesmo. Imagine: com o advento dos livros digitais e o uso cada maior deles dentro da educação, como vamos administrar e distribuir esse conteúdo dentro da rede da escola? Como o professor poderia trabalhar esse conteúdo todo na sala de aula, em um ambiente colaborativo? A Intel não entra na questão do material em si, porque isso ela deixa a cargo dos responsáveis pela escola e dos criadores do conteúdo mesmo – as editoras tradicionais e os desenvolvedores de software que se especializam em educação para criar aplicativos didáticos. INFO: Aproveitando o nome do recorte do estudo, “Classrooms of the Future” (Salas de Aula do Futuro), o que você e a Intel veem como o futuro da tecnologia nas salas de aula? Ed Paoletti: Nós vemos para um futuro próximo a adesão e proliferação, um maior interesse, de novos dispositivos multifuncionais, que possam ser tanto tablets quanto notebooks. Eles podem permitir tanto consumir conteúdo – algo fundamental para livros digitais – quanto criá-lo. Nós acreditamos que o uso deles crescerá nos próximos meses ou dentro de um ano e pouco, e temos toda uma linha de desenvolvimento na nossa divisão de soluções para educação. Quanto a visão de uma “sala de aula do futuro”, eu até aconselharia ver um vídeo do Project Bridge, “projeto ponte” [abaixo]. Ele traz uma sala de aula toda aparelhada, mostrando como um professor consegue trabalhar vários conceitos e conhecimentos dentro de uma aula voltada a um projeto. O docente tem como objetivo desenvolver uma ponte mesmo, e em torno disso trabalha vários conceitos, passando por matemática, física, artes, etc. Ele trabalha de forma colaborativa com os alunos, que desenvolvem os projetos tanto dentro quanto fora da sala de aula. E as tecnologias envolvidas não são tão diferentes do que vemos hoje – só que elas estão juntas. Você vê lá ali os dispositivos híbridos comentados antes, lousas interativas de uma próxima geração, toda a parte de comunicação, impressoras 3D, entre outros. Adaptado via Exame

“Uso da tecnologia na educação precisa ser planejado” diz gerente de desenvolvimento de negócios para educação da Intel

A sala de aula tecnológica imaginada pela Intel

A Intel divulgou nesta semana um novo recorte de seu “Global Innovation Barometer”, pesquisa que ouviu 12 mil pessoas em oito países. Batizado de “Classroom of the Future” (“Salas de Aula do Futuro”, em tradução livre), o estudo foi focado em educação – e o resultado mostrou que, no Brasil, a 81% dos entrevistados acreditam que o uso de tecnologia nas escolas é inevitável, e que os investimentos do país devem focar mais em um suporte tecnológico para pedagogos. Ao todo, 77% dos brasileiros ouvidos para a pesquisa acreditam que “escolas e professores devem se apoiar mais na tecnologia para melhorar o sistema educacional”. É um número relativamente maior do que o visto no resto do mundo (69%), e ainda é apoiado pelos 57% dos entrevistados que acreditam que deve haver mais educação tecnológica na escola e pelos 65% que veem uma possível melhora no relacionamento entre professor e aluno com a maior adoção de recursos avançados. Obtidos entre julho e agosto do ano passado pela Peen Schoen Berland, os números podem até parecer surpreendentes, mas não deixaram Ed Paoletti, gerente de desenvolvimento de negócios para educação da Intel, tão surpreso assim. INFOconversou com o executivo para falar um pouco da pesquisa e das iniciativas da empresa dentro da área – e a entrevista completa você confere abaixo. INFO: Primeiro, o que você achou dos números mostrados pela pesquisa? Ed Paoletti: Essa expectativa otimista do brasileiro em relação ao uso da tecnologia é algo que eu vejo como realmente positivo. Pelos alunos e pelos professores, isso pode trazer uma melhora na educação. E acho até que essa visão [dos entrevistados para a pesquisa] faz muito sentido, até porque a Intel tem uma atuação forte em tecnologia na educação, que já vem de muitos anos – e nós acreditamos que o resultado dessa pesquisa é um reflexo da realidade, de que a tecnologia, quando bem aplicada, pode sim trazer benefícios e uma melhora nos resultados da educação, do ensino e da aprendizagem. Por bem aplicado, você quer dizer o quê? Ed Paoletti: Para você poder implantar um projeto de tecnologia na educação, vários aspectos precisam ser trabalhados. E até, de certa forma, seguindo uma ordem, para que o resultado final seja bom. Um ponto fundamental, por exemplo, é a existência de uma política clara para o uso de tecnologia na educação. Quando falamos de governo, é uma política pública. Se for uma instituição privada, é preciso haver uma norma muito específica, colocando objetivos claros para essa adoção. A partir delas, você explica um caminho. INFO: Mas essa parte de definir a importância é só um “primeiro passo”, não? Ed Paoletti: Quando falamos de educação pública, por exemplo, a política estabelecida apenas começa com a importância do uso da tecnologia na educação. A partir disso, outros pontos fundamentais vão entrando na fila. A formação e o desenvolvimento dos professores, por exemplo: é essencial que eles estejam bem informados na questão das próprias disciplinas com as quais eles trabalham e na da tecnologia, que pode ser uma ferramenta importante para o desenvolvimento do trabalho dele no processo de ensino a aprendizagem. Isso sendo colocado como política faz com que surjam programas governamentais em todos os níveis, para impulsionar a formação de professores. E esse é um ponto. Outro é definir como os conteúdos educacionais e didáticos serão trabalhados dentro da política da escola. Uma vez que você tem um currículo já bem definido, como começar a trazer elementos digitais para ser trabalhados dentro do projeto? Existe uma grande seleção que pode ser feita, com vários tipos de conteúdo, abertos, livres ou comerciais. E depois, para avaliar os resultados, você tem que pensar em quais são as métricas que irá utilizar para fazer o acompanhamento da implementação do projeto, a partir dos objetivos que você quer atingir. INFO: E como são definidas as tecnologias que serão usadas em uma iniciativa assim? Ed Paoletti: Escolhida toda a estratégia, vem essa questão. E aí entram todos os requisitos para poder iniciar um projeto assim: conectividade, intraestrutura da escola… Quando se fala de Brasil, essa última parte passa até por saber se a escola tem alimentação de energia suficiente para comportar muitos equipamentos funcionando dentro dela. Todos esses aspectos têm que ser pensados, trabalhados dentro de um projeto, de um cronograma. É algo bastante complexo, e a implementação vai ser em fases – a tecnologia começa a entrar na escola, mas de forma gradual. Primeiro os professores precisam se apropriar do uso da tecnologia, fazer seus planejamentos de aula usando ferramentas tecnológicas. E a partir disso, ela vai chegando dentro da sala de aula, para os alunos – uma etapa bem evoluída em uma boa implementação. INFO: Em suma, é algo bem mais complexo do que aquela ideia de dar um tablet na mão de criança Ed Paoletti: Exato, é muito além disso, porque se você coloca um tablet ou qualquer equipamento de uma vez na mão dos alunos, você causa uma ruptura, e os resultados são imprevisíveis. Pode acontecer de a experiência fazer a escola entrar em um caos de conectividade e de dispersão na sala de aula, deixando o professor complemente perdido, sem saber por onde começar, por exemplo. Mas também pode ser que, de repente, o docente, até por uma natureza dele mesmo, por já ter trabalhado com isso anteriormente, consiga fazer esse trabalho em sala de aula. Porque a grande dificuldade é essa: como o professor vai fazer essa coordenação da sala, nesse novo cenário em que os alunos estão todos conectados? Se não for bem coordenado, dentro de um processo planejado, pode gerar o caos. É claro que aí são várias linhas, e há opiniões diferentes quanto a isso. Existem aqueles que acreditam que tudo tem que entrar primeiro na bagunça mesmo, para depois naturalmente se encontrar. Ou aqueles a favor do planejamento, algo mais ortodoxo – e a minha opinião pende mais para esse lado. INFO: Você se lembra de algum exemplo real de boa implementação de tecnologia na educação? Ed Paoletti: Vi acontecer em escolas privadas, que também têm esse perfil mais ortodoxo. Primeiro, em termos de tecnologia, ela começou com os laboratórios de informática e partiu para os computadores na sala de aula, mas voltados para projeção de conteúdo, basicamente. Depois, começaram com o uso de tablets nas primeiras séries, da pré-escola, para fins lúdicos, com games e apps artísticos até. E agora eles estão iniciando a experiência no ensino fundamental. Escolheram o novo ano, no caso, e todos os alunos de lá vão usar tablets. Mas teve um processo por trás: quais aplicativos seriam utilizados em cada disciplina? Em que momentos a tecnologia seria inserida dentro do plano de aula? Isso dando resultado, certamente será expandido para outras salas de aula. Há, portanto, formas e formas, mas eu diria que aquela com a maior chance de sucesso é a pensada – e que envolva inclusive coisas muito simples. Por exemplo, se você entra em uma sala de aula, a rede Wi-Fi tem algum problema e o professor não sabe resolver e não tem quem chamar: ele pode perder metade da aula para tentar arrumar e não conseguir. Em uma ocorrência assim, qual o plano B? Como o docente sai dessa situação sem perder o fio da meada? Quem é que vai de fato ter esse papel de ajudar o professor a fazer a tecnologia funcionar? Tudo precisa ser o mais transparente possível para ele dentro da sala. Até porque o objetivo dele não é conhecer a ferramenta a fundo, a ponto de saber resolver um problema técnico. Tudo isso tem que ser pensado. INFO: Você mencionou que a Intel já trabalha com a educação faz alguns bons anos. Quais as iniciativas principais da empresa hoje nessa área? Ed Paoletti: Nossa primeira atuação na educação foi (e ainda é) ligada à formação dos professores. Começou lá atrás, há mais de 10 anos, com programas do tipo, para auxiliá-los no uso de tecnologia. E esses programas continuam, são feitos normalmente em convênios com governos ao redor do mundo. No Brasil, já foram mais de 300 mil docentes formados por essas iniciativas, que visam ajudar mesmo os que não tenham nenhum contato com tecnologia a desenvolver planos de aula utilizando-a – e até com pensamentos em torno do ensino voltado a projetos, para o ensino multidisciplinar. E começou aí, mas visando mais o uso laboratorial de tecnologia na escola. Então, cerca de oito anos atrás, começaram os primeiros projetos mundiais de “um computador por aluno”, e começamos a criar voltados para isso. Nosso netbook educacional surgiu aí, e começou a ser trabalhado com governo, inclusive o do Brasil. Em cima disso, desenvolvemos software que acompanhavam essa plataforma educacional, e hoje estamos com tablets híbridos, que viram notebooks. E essa tecnologia, claro, é pensada, inclusive na parte da robustez – as implementações podem ser feitas com crianças, que jogam coisas sobre o aparelho. A ideia também envolve tecnologias que inibem o furto do equipamento, programas voltados para a colaboração em sala de aula, entre outros pontos. INFO: Recentemente a Intel adquiriu a Kno, que é voltada para gestão e distribuição de conteúdos. Foi uma mudança de rumos ou mais uma ampliação dos atuais mesmo? Ed Paoletti: Fomos subindo na cadeia de valor, de solução mesmo. Imagine: com o advento dos livros digitais e o uso cada maior deles dentro da educação, como vamos administrar e distribuir esse conteúdo dentro da rede da escola? Como o professor poderia trabalhar esse conteúdo todo na sala de aula, em um ambiente colaborativo? A Intel não entra na questão do material em si, porque isso ela deixa a cargo dos responsáveis pela escola e dos criadores do conteúdo mesmo – as editoras tradicionais e os desenvolvedores de software que se especializam em educação para criar aplicativos didáticos. INFO: Aproveitando o nome do recorte do estudo, “Classrooms of the Future” (Salas de Aula do Futuro), o que você e a Intel veem como o futuro da tecnologia nas salas de aula? Ed Paoletti: Nós vemos para um futuro próximo a adesão e proliferação, um maior interesse, de novos dispositivos multifuncionais, que possam ser tanto tablets quanto notebooks. Eles podem permitir tanto consumir conteúdo – algo fundamental para livros digitais – quanto criá-lo. Nós acreditamos que o uso deles crescerá nos próximos meses ou dentro de um ano e pouco, e temos toda uma linha de desenvolvimento na nossa divisão de soluções para educação. Quanto a visão de uma “sala de aula do futuro”, eu até aconselharia ver um vídeo do Project Bridge, “projeto ponte” [abaixo]. Ele traz uma sala de aula toda aparelhada, mostrando como um professor consegue trabalhar vários conceitos e conhecimentos dentro de uma aula voltada a um projeto. O docente tem como objetivo desenvolver uma ponte mesmo, e em torno disso trabalha vários conceitos, passando por matemática, física, artes, etc. Ele trabalha de forma colaborativa com os alunos, que desenvolvem os projetos tanto dentro quanto fora da sala de aula. E as tecnologias envolvidas não são tão diferentes do que vemos hoje – só que elas estão juntas. Você vê lá ali os dispositivos híbridos comentados antes, lousas interativas de uma próxima geração, toda a parte de comunicação, impressoras 3D, entre outros. Adaptado via Exame

24 de junho de 2014

Professor é chave para o sucesso no uso de tecnologia na sala de aula

Considerado um caminho sem volta por especialistas em educação, o uso das tecnologias em sala de aula depende essencialmente dos professores para dar certo. É por isso que eles se tornaram o grande alvo dos programas atuais do Ministério da Educação para promover o aproveitamento de ferramentas tecnológicas nas escolas. Das primeiras experiências com a distribuição de laboratórios de informática à mudança de estratégia depois do projeto piloto do Um Computador por Aluno, a formação de professores para o tema não perdeu força. O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo), que centraliza as estratégias do governo federal na área, capacitou 644.983 docentes desde 2008. De acordo com o Ministério da Educação, todos os cursos solicitados por estados e municípios para capacitação de educadores para o uso de tecnologias em sala de aula continuam sendo financiados. Só este ano, a expectativa é de que 4,9 mil professores façam os cursos, ministrados em 845 Núcleos de Tecnologia Educacional estaduais. As experiências – bem sucedidas ou não – mostraram que, se o professor não se apropriar das tecnologias e perceber os ganhos reais para a prática pedagógica com as ferramentas, elas se tornam apenas um amontoado de caixas nas escolas. Para o professor Gilberto Lacerda, do Departamento de Métodos e Técnicas da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), o professor é o ator central do processo de inserção das tecnologias na escola. “Mesmo que todos os alunos tenham computadores, se o professor não é capaz de fazer uma relação educativa consistente do seu trabalho e as ferramentas, nada funciona. O professor é o elemento mais importante, porque ele é quem dá o sentido pedagógico às coisas. Qualquer recurso tecnológico tem de ser dominado por ele primeiro”, afirma o pesquisador.   Tablets para docentes Desde 2012, o MEC passou a investir em outra iniciativa para modernizar a sala de aula: os tablets. Os equipamentos portáteis, com tela de 7 ou 10 polegadas, têm visor multitoque, câmera e microfone embutidos e serão distribuídos para os professores. Quando chegam às mãos dos docentes, já estão carregados de materiais multimídia. “Estamos distribuindo tecnologias que, integradas, podem facilitar o dia a dia do professor. O tablet dá acesso a conteúdos digitais e mobilidade”, garante a diretora de Formulação de Conteúdos Educacionais do MEC, Mônica Gardelli Franco. Junto com os tablets, a proposta prevê a entrega de lousas eletrônicas, que possam se comunicar com os equipamentos do professor, ou computadores e projetores. Os primeiros professores a receberem os tablets serão os do ensino médio. Até julho de 2013, o governo federal bancou 378 mil equipamentos e os estados adquiriram outros 347 mil. Só o MEC investiu R$ 115 milhões. Da mesma forma que no UCA, o ministério realizou um pregão nacional para ajudar estados e municípios interessados em espalhar os equipamentos para professores de outras etapas ou até para alunos a baratear custos com a aquisição. Para participar da primeira leva de distribuição dos tablets financiados pelo governo federal, as redes de ensino precisavam contemplar escolas urbanas de ensino médio, ter internet banda larga, laboratório do Proinfo e rede sem fio (wi-fi). Os contratos são assinados pelas próprias empresas e as redes estaduais de ensino e o tempo de entrega depende disso. Dados do ministério mostram que, no primeiro semestre, 275 mil tablets foram distribuídos às redes. Entre a compra e a entrega, é exigido um tempo para carregamento de materiais didáticos nos equipamentos e dispositivos de segurança. Além da formação já oferecida pelo Proinfo, a partir do segundo semestre, o MEC vai abrir um curso de especialização de 360 horas em Educação para Cultura Digital.   Dentro e fora da sala de aula Uma pesquisa divulgada em maio deste ano pelo Comitê Gestor da Internet quebrou um dos grandes mitos ainda usados como argumento para explicar o pouco uso de tecnologias na sala de aula: a falta de conhecimento do professor. Segundo o estudo TIC Educação 2012, que entrevistou 1,5 mil professores de 856 escolas de todo o país, os docentes utilizam sim a internet em suas atividades diárias e reconhecem benefícios na utilização desses materiais. Grande parte das dificuldades, reconhecidas pelos próprios professores e apontadas pelos pesquisadores, está na adaptação do uso das tecnologias às rotinas. “Professores são cidadãos de dois mundos: usam as tecnologias fora da escola, frequentam blogs, redes sociais e, dentro da escola, não sabem como usá-las de maneira pedagógica”, afirma Lacerda. Na opinião de Marcelo Pinto de Assis, formador do Núcleo de Tecnologia Educacional de Taguatinga, no DF, responsável pela formação dos professores, seria importante ter coordenadores para auxiliar os docentes na elaboração de atividades em todas as escolas. “A aprendizagem e a utilização melhorariam muito”, diz. Em um dia de formação de educadores da rede do DF, professores relataram que entendem a importância da tecnologia para “não fugir da realidade dos alunos”. Mas admitiram que ainda não vêem quais as diferenças entre o notebook – que haviam recebido há pouco tempo – e os tablets no cotidiano escolar. “Na sala, o tablet não funciona. A internet é lenta, ele é lento, não conseguimos baixar os aplicativos. O que ganhei está guardado, porque já tenho notebook. Não conheço ninguém que está usando em sala”, afirma a professora Ana Lúcia Bontempo, do Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte (CEMTN).   Falhas na formação Lacerda critica a falta de disciplinas, ainda dentro dos cursos de graduação, que preparem os professores para esse novo mundo. Lacerda ressalta que, enquanto governos mudam políticas, distribuem diferentes tecnologias às escolas, os currículos dos cursos de graduação se mantém os mesmos. “Os professores em exercício não foram preparados para usar tecnologias digitais em sala e os que ainda estão na graduação também não estão sendo preparados. A educação continuada não resolve uma falha de formação inicial. As faculdades de educação das universidades deveriam ser verdadeiros laboratórios de inovação pedagógica”, critica. Na pesquisa do Comitê, os professores entrevistados apontam as mesmas críticas. Apenas 44% deles disseram ter cursado alguma disciplina sobre uso do computador e internet e 79% afirmaram que o apoio para o desenvolvimento dessas habilidades vem de outros educadores e leitura. Quando há resistências dos docentes, os argumentos são a falta de tempo e o medo de eles terem menos conhecimento da ferramenta que os alunos. Eliane Carneiro, coordenadora de mídias educacionais da Secretaria de Educação do Distrito Federal, conta que as formações oferecidas na rede são voluntárias. A proposta dos encontros, organizados pelos NTEs, é ajudar o professor a adaptar as ferramentas aos componentes curriculares. Este ano, no DF, foram distribuídos 3.051 tablets para os professores do ensino médio. Para aproveitar todas as funcionalidades, Eliane reconhece que é preciso melhorar a infraestrutura das escolas, especialmente de internet, e adquirir telas interativas para as salas de aulas. “Há professores usando os equipamentos em sala, mas ainda é muito pessoal. Precisamos de mais tempo para colher resultados”, pondera Eliane. Adaptado via Último Segundo

9 de junho de 2014

Veja quais aspectos nas universidades a tecnologia ainda pode melhorar

A tecnologia se transformou em uma das mais eficazes e completas soluções para professores e instituições de ensino. Entretanto ainda é possível encontrar alguns problemas que poderia ser resolvidos por dispositivos eletrônicos e softwares, principalmente nas universidades. Confira quais são essas questões: 1 – Grupos de estudo Ainda é comum encontrarmos grupos de estudantes fazendo trabalhos e pesquisas em bibliotecas ou utilizando computadores. Porém, hoje em dia, existem diversos programas que permitem que os alunos façam essa mesma atividade sem precisar sair de casa. Fazer trabalhos e pesquisas em grupo, além de facilitar a comunicação, permite que os integrantes tenham sempre com eles todos os documentos necessários, além de não dependerem de um espaço físico para o encontro. 2 – Entrar em contato com o professor Ainda hoje, alguns alunos, quando precisam falar ou perguntar algo para um professor, ficam esperando eles passarem pelo corredor ou na saída da sala dos professores. Isso deveria ser passado: atualmente existem programas e sites que facilitam o contato entre ambas as partes. Caso você não queira testar nada inovador, tenha uma lista com todos os e-mails dos seus professores. Quando você tiver algum problema, mande uma mensagem para ele. 3 – Feedback O feedback é importante na educação, tanto para professores quanto para alunos. Entretanto, nem sempre o educador terá tempo suficiente para falar pessoalmente com cada um dos estudantes. Nesse caso, é possível utilizar programas que facilitam o contato, pois, assim, professores podem aproveitar fins de semana e outros momentos em que eles não se encontram na instituição de ensino para dar o feedback. Adaptado via Unversia

30 de Maio de 2014

5 sites gratuitos ensinam a criar livros digitais

Na última quarta-feira (23) celebramos o dia internacional do livro. Do papiro aos tablets, ao longo da história, os livros passaram a utilizar novos formatos para se adequar aos avanços tecnológicos. Atualmente, as novas tendências são os e-books. Além de serem interativos, eles também podem reduzir os custos de impressão e o gasto de papel. Mas, essas não são as únicas vantagens. Os livros eletrônicos também podem ser uma ótima opção para professores e alunos desenvolverem seus próprios conteúdos. Se antes era necessário recorrer às editoras para a publicação de um livro, hoje é possível criar um e-book e compartilhar o resultado final na internet.  Com essa facilidade, podem surgir novas opções de materiais que proporcionam experiências de ensino personalizado. Por isso separamos uma lista com 5 sites gratuitos que permitem criar livros digitais. Confira:   1. Myebook Com essa ferramenta o usuário pode criar e editar livros digitais de forma simples e personalizável. Ao iniciar um novo projeto, é possível escolher o número de páginas e optar por desenvolver a publicação a partir de um modelo pronto ou começar do zero. Para os que desejam adaptar um arquivo, também existe a opção de importar um documento em PDF. Ainda é possível criar e inserir recursos interativos com vídeos, áudios, documentos, imagens e arquivos em flash. Após a conclusão do projeto, o livro pode ser disponibilizado no site para consultas. A ferramenta está disponível apenas em inglês.   2. Livros digitais A plataforma pode ser utilizada por alunos e professores para criação e publicação de livros eletrônicos. Com aplicações simples, uma das vantagens da ferramenta é estar disponível em português e ter fácil usabilidade. No site, o usuário pode formatar o seu livro, escolher modelos de capas e adicionar páginas com quatro layouts pré-estabelecidos, permitindo inserir textos e imagens. Após a finalização do projeto, o livro pode ser convertido em PDF, no formato A4, ou também é possível compartilhar a obra nas redes sociais.   3. Papyrus O Papyrus é um editor on-line que permite a criação de livros digitais para serem exportados no formato PDF, Epub ou Kindle. Para começar um projeto, é necessário escolher entre 25 modelos disponíveis. Com base nesses formatos, o usuário pode fazer adaptações, adicionar capítulos, inserir imagens e textos. Embora seja possível seguir apenas modelos pré-formatados, a ferramenta possui alguns recursos de customização, incluindo o estilo de texto, alinhamento, formatação e inserção de links. Já está disponível em português.   4. Playfic A plataforma não possui muitos atrativos visuais, mas possibilita a criação de livros digitais interativos. O usuário pode criar uma narrativa e colocar nas mãos de seu leitor escolhas que alteram o fim da história. A plataforma não usa gráficos e sons, mas  o dinamismo é garantido pela possibilidade de  avançar páginas ou parágrafos e de alterar o rumo da história. O Playfic usa linguagem de programação simples, que permite a criação de verdadeiros jogos com a utilização de recursos textuais. A ferramenta pode ser interessante para estimular o desenvolvimento da capacidade de leitura e escrita.   5. ePub Bud O ePub Bud foi desenvolvido para criar livros digitais infantis para iPad. A ferramenta permite subir arquivos ou criar publicações para serem acessadas pelo tablet. Com a ferramenta, os usuários podem disponibilizar as produções gratuitamente ou optar por vender sua criação. Além de desenvolver as próprias histórias, a ferramenta permite navegar pelas criações de outros autores, podendo fazer o download desse conteúdo. A plataforma possui um acervo com diversos livros digitais gratuitos para crianças.   Adaptado via Porvir

28 de Abril de 2014

Oculus VR: possível aliado na Educação a Distância?

O Facebook adquiriu na semana passada nos Estados Unidos a Oculus VR  pelo valor de 2 bilhões de dólares, seguindo uma linha de diversificação de negócios característica já há algum tempo da empresa. Isso porque ela vem investindo em ideias que não necessariamente tem a ver com a rede social, mas sim com inovações tecnológicas de alto potencial de adoção. A compra chamou atenção para o potencial de uso do óculos de Realidade Virtual para a educação. Isso porque, aparentemente, ele melhora não apenas a experiência de aprendizagem fornecida pelos jogos e simuladores educativos, mas também a imersão virtual interativa em salas de aula e palestras à distância. Atualmente, o aluno fica tentado a acompanhar outras janelas em sua tela ou celular. Com estes óculos, seria possível simular um ambiente comum para este tipo de interação à distância, de forma que o aluno seria praticamente “tele-transportado” para o local onde a interação estaria ocorrendo (um congresso, sala de aula, uma reunião de trabalho, etc.). Aparelhos como o Oculus Rift ou o similar Merpheus da Sony talvez possibilitem entregar uma experiência ainda mais completa para alunos e professores, numa confortável e intuitiva interação à distância. Vale a pena ficar de olho nesta novidade. Adaptado via Estadão Blogs

3 de Abril de 2014

Internet pode inspirar novas formas de educação

internet e novas formas de educação Os usos das novas tecnologias pelos alunos da Educação para Jovens e Adultos (EJA) não começa nas escolas. Para estas pessoas, a instituição escolar não representa um meio facilitador de interação com as inovações tecnológicas. É o que aponta pesquisa da Faculdade de Educação (FE) da USP, que questiona a visão da escola como polo centralizador de difusão de conhecimentos, e enxerga na cultura libertária da internet a inspiração para mudanças estruturais na educação. A professora Bianca Santana é a autora da dissertação de mestrado que, além de um breve estudo sobre a região, entrevistou 30 alunos entre os anos de 2011 e 2012. A pesquisa foi feita nas salas da EJA, e abrangeu alunos desde a alfabetização até o ensino médio, situadas em cinco escolas públicas nos bairros de Brasilândia e Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. O objetivo foi compreender a relação entre utilização de novos adventos tecnológicos e a escola. A pesquisa revelou que, entre os entrevistados, 75% já tinham computador em casa; mais de 50% já haviam concluído curso de informática; 26% tiveram o primeiro acesso a internet em casa, 35% em “lan houses”, e apenas 15% haviam acessado a grande rede de computadores nas escolas pela primeira vez. Os principais usos da internet apontados pelos entrevistados foram: realização de pesquisas gerais, utilização de redes sociais e emails, downloads de filmes e músicas, e recreação com jogos online. O resultado é bastante interessante e demonstra uma menor importância da escola como meio de introduzir novas tecnologias para jovens e adultos da EJA. “Uma das perguntas feitas era sobre a quem os alunos recorriam quando tinham dúvida na utilização de computadores, e nenhum dos 30 entrevistados respondeu ‘ao professor’. As pessoas que ajudavam a solucionar suas dúvidas eram os amigos, filhos, netos, monitores de lan houses.”, revela a pesquisadora. Bianca também aponta em seu estudo o quanto é difícil a implementação de políticas públicas que venham de “cima para baixo”: “Nos escritórios e gabinetes podemos pensar e imaginar as mais diversas, criativas e inovadoras políticas para a educação. Entretanto, quem aplica essas políticas, os professores e os alunos, em última estância, é que de fato conhecem as demandas e as necessidades reais de mudança na educação, o que pode dar certo ou errado.” Como possível saída para o impasse, Bianca propõe a reflexão acerca das “Comunidades de Aprendizagem”, a articulação das escolas com outros equipamentos de seu entorno: “Se o Telecentro ou mesmo as Lan Houses são lugares onde as pessoas podem aprender sobre novas tecnologias, isso não precisa necessariamente acontecer na escola. As escolas podem ser, no caso da EJA, o local onde os adultos aprendem a ler e escrever, e até mesmo, conhecimentos básicos de informática, mas não podem ser a única fonte de conhecimento.” Mais do que comprar aparelhos eletrônicos de última geração, Bianca acredita que se quisermos pensar a tecnologia na escola (mais especificamente na EJA), deveríamos nos basear em como se organiza a arquitetura da Internet atualmente: “É urgente repensarmos o direito humano a educação, e como o podemos viabilizar. O princípio básico e mais interessante da internet é que todas as pontas, todos os computadores, têm igual ‘poder’ de emitir e receber informações. A internet é fantástica por conta de sua perspectiva igualitária e libertária. A escola não têm que necessariamente resolver tudo, e a educação popular no campo da EJA, a exemplo da internet, deveria ter currículos abertos, flexíveis e conectados a seus alunos, que já possuem muitos saberes e experiências de vida.”   Adaptado via Agência USP de Notícias

19 de Março de 2014

A tecnologia como uma “locomotiva de mudanças”

A tecnologia pode ser a locomotiva de mudanças' Há uma ideia que permeia tanto as opiniões de críticos, quanto de entusiastas do uso da tecnologia em sala de aula: Não basta haverem tablets ou lousas eletrônicas nas salas – que representam investimentos altos – se não houver um projeto educacional. É necessário que a tecnologia ajude concretamente na aprendizagem. Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação, acredita que essa concepção tem evoluído nos últimos anos. “A vantagem é que para ter um projeto que funcione bem é preciso mexer em vários outros fatores, como ter um currículo definido, formar o professor, mudar o espaço físico”, diz ela. “A tecnologia, nesses casos, é a locomotiva de mudanças que puxa outros vagões, e isso é a transformação.” A diretora diz que, assim como nas experiências internacionais, é necessário investimento na consolidação das ferramentas. A utilização da tecnologia em escala no Brasil começa exatamente na definição clara de como a tecnologia vai ajudar no aprendizado, segundo Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. “O segundo desafio é construir a implementação em conjunto com professores e equipe gestora para que o projeto tenha sentido na escola e seja efetivamente incorporado no dia a dia dos alunos. Muitas das inovações acabam não conseguindo chegar na ponta, pois esta costura não é feita adequadamente“, afirma ele, que lembra ainda as dificuldades de infraestrutura. “A questão de conectividade não é uma realidade nas escolas brasileiras.” Apesar da informatização não ser uma realidade nas escolas, houve uma mudança no centro do debate. Enquanto na década de 1990 a preocupação era levar as máquinas às escolas, o que se impõe hoje é a chegada da cultura digital na sala de aula. “Ou a escola inserida na cultura digital”, como diz Guilliana Bianconi, coordenadora de projetos do Instituto Educadigital. A internet e o acesso à informação fazem com que os alunos cheguem às escolas com outras habilidades e, segundo Giulliana, a discussão da tecnologia não é mais só uma questão de ferramenta. “Essa cultura digital, da construção, compartilhamento e remix, é muito mais enraizada na sociedade. E a escola, como um ambiente para aprender, ficou esvaziada.” Segundo ela, em uma realidade em que muita gente ainda não tem acesso à tecnologia e internet, o problema da educação se torna ainda maior. “É um grande desafio para que as distâncias na educação não fiquem ainda maiores.”. Adaptado via Estadão

17 de Março de 2014

Como a tecnologia pode contribuir para o ensino adaptativo?

tecnologia no ensino adaptativo No mundo de educação, temos ouvido falar cada vez mais sobre softwares ou algoritmos de aprendizagem adaptativa, que consistem em ferramentas para personalizar as necessidades de aprendizado nas salas de aula. Estas soluções prometem revolucionar o ensino e engajar os alunos do século XXI. Entenda melhor o que o que são estes softwares adaptativos, e como eles se diferem entre si. Para começar, é importante falar de um conceito mais abrangente: educação personalizada. Ela consiste entregar uma educação diferente para cada aluno, onde ele recebe seus materiais conforme sua necessidade, na sequência que necessita, para atingir objetivos de aprendizado específicos para sua vida. Nada muito novo, visto que tutores particulares fazem isso há décadas, principalmente nos Estados Unidos. Porém, esta prática é cara, e personalizar a educação para uma cidade inteira seria inviável. Aí entra a tecnologia: com ela é possível fazer esta personalização em escala, pois algoritmos passam a sugerir as respostas para algumas decisões sobre qual conteúdo recomendar a um aluno; em qual sequência; para qualquer objetivo. Os professores precisam tomar apenas as decisões mais críticas, ajustando as sugestões que julgarem equivocadas. Dessa forma, cada professor consegue ser um “tutor particular” para toda uma sala de aula. Nem todo software de aprendizagem adaptativa é igual. Hoje em dia, existem softwares com algoritmos para todos os gostos. Para entender as diferenças e escolher o mais adequado para uma instituição, recentemente a Education Growth Advisors lançou um estudo que compara diferentes softwares pelo mundo e para isso criou um sistema próprio de classificação. Entenda melhor estas diferenças: 1. As recomendações de conteúdos e caminhos são baseadas no perfil do aluno. A forma como esse perfil é criado varia de algoritmo para algoritmo. Alguns constroem esse perfil em uma etapa de diagnóstico do aluno e este perfil se mantém estático ao longo de todo seu caminho de aprendizado. Outros atualizam este perfil a cada interação do aluno com um conteúdo, com o software e com outros estudantes. 2. Em alguns casos, o algoritmo sugere um caminho entre cursos ou entre unidades e tópicos, sem especificar o material didático (ou objeto educacional) a ser estudado. Em outros casos, ele trata cada objeto educacional como um item e cada aluno recebe uma sequência personalizada de objetos – nesse caso, o aluno determina o que quer aprender e o algoritmo recomenda objetos que melhor o auxiliam para atingir esse aprendizado. 3. O modelo de conteúdo é outro eixo de classificação das soluções adaptativas. Algumas delas já vêm com um conteúdo fixo, enquanto outras permitem inserção de conteúdos da instituição de ensino mediante pedido. Há também soluções que oferecem ferramentas de autoria de conteúdos, e permitem que cada instituição insira conteúdo diariamente. 4. Há uma grande variação na maneira com os softwares de aprendizado adaptativo se encaixam no contexto da instituição de ensino. Alguns podem ser usados somente em avaliações, em lições de casa, etc. Outros, em todo o curso, inclusive no dia a dia de sala de aula. 5. As soluções de aprendizado adaptativo suportam objetivos de aprendizagem diversos: Alguns deles, baseados na Taxonomia de Bloom, suportam o ensino de habilidades como, por exemplo, entender um tópico e lembrar-se dele. Outras auxiliam no ensino de habilidades de análise e aplicação de conhecimento. Seria possível ainda usar algoritmos de aprendizagem adaptativa para melhorar a capacidade de criação e avaliação dos alunos, mas ainda não há no mercado uma solução que ofereça esta terceira opção. Adaptado via Q Mágico

13 de Março de 2014

Estudo mostra impacto da tecnologia nas universidades

tecnologia na sala de aula Para entender melhor as mudanças que a tecnologia está trazendo para a Educação, o Education Dive – portal especializado em notícias sobre o ensino superior, nos Estados Unidos – realizou a pesquisa Mobility in Higher Education. Foram entrevistados 50 CIOs (chefes dos departamentos de TI, em tradução livre) de universidades norte-americanas para entender como a mobilidade está impactando seus campi. Segundo a pesquisa, 68% dos CIOs são favoráveis ao uso das mídias móveis em suas universidades, oo contrário dos 28% que discordaram da eficácia desses aparelhos. Já 4% dos entrevistados afirmam que os dispositivos móveis não são considerados tão fundamentais, embora sinalizem sua importância mais significativa a longo prazo. O estudo abarcou três grandes discussões sobre o mobile no ensino superior: os dispositivos e apps mais usados pelos CIOs no trabalho e em casa; o que mais preocupa os CIOs quanto à mobilidade no campus e quais as prioridades para o próximo ano; e o que a universidade planeja para a implementação BYOD (Bring Your Own Device), movimento permite que os alunos e funcionários levem para o ambiente de trabalho seus próprios aparelhos portáteis. Apps e smartphones De acordo com o estudo, o aplicativo mais comum entre os entrevistados foi o Evernote, seguido do DropBox e do OneNote. O Evernote é utilizado para gerenciar e organizar arquivos. A partir do próprio celular, o usuário pode criar notas, salvar pesquisas, gravar áudios e organizar seus materiais. Além disso, ao adicionar qualquer recurso a sua conta, a agenda é automaticamente sincronizada e disponibilizada em todos os computadores, telefones e tablets que o usuário usar. Dificuldades e prioridades para 2014 A partir das respostas, o estudo reuniu em uma lista com as 10 principais “preocupações”, como a segurança (60%) e a escalabilidade (20%). As demais são: infraestrutura e manutenção, sistemas inteligentes, cobertura de rede sem fio, aprendizagem on-line, reparar crises, análise de dados, migração para o cloud computing e mobilidade. Movimento BYOD O BYOD é um movimento que levanta a bandeira de que os alunos podem levar seus próprios dispositivos móveis para escola, o que reduziria custos. Por outro lado, isso acaba gerando impactos na infraestrutura dos campi, que precisam de um suporte maior para atender a essa demanda. De acordo com a pesquisa, apenas 26% das universidades adotam as políticas do BYOD, enquanto 74% não adotam, mas vêem possibilidades de adotá-la. De acordo com a pesquisa Our Mobile Planet conduzida pelo Ipsos Media CT em parceria com a Google, mostra os hábitos, uso e consumo dos smartphones em mais de 40 países em todo o mundo. O estudo mostrou que o Brasil tem mais aparelhos móveis do que países como França e Alemanha, com 24% e 25%, respectivamente. Adaptado via Planeta Educação

10 de Março de 2014

6 novidades tecnológicas que estão mudando a educação

novidades tecnologicas que estão mudando a educação Encontrar formas de incluir a internet, seus aplicativos e softwares de forma construtiva nas salas de aula, é um grande desafio da atualidade para melhorar a experiência do aprendizado. A seguir, conheça 6 novidades tecnológicas que já mudaram a educação pelo mundo:   1. Google Glass O que é: O Google Glass é um computador portátil em formato de óculos que permite o acesso à internet e a gravação de vídeos. Como mudou a educação: o cirurgião Rafael Grossmann entrou numa sala de cirurgia usando os óculos e enviou em tempo real o vídeo para os seus alunos a fim de que eles pudessem enxergar o mesmo que ele. Grossmann também criou um Google Hangout (Google App para videoconferências) e respondeu dúvidas sobre o que ele estava fazendo a cada momento da operação. Graças ao Google Glass, os alunos tiveram contato com algo que, em outros tempos, seria impossível até que se graduassem.   2. SCARLET O que é: SCARLET significa Special Collections using Augmented Reality to Enhance Learning and Teaching – numa tradução livre “Coleções Especiais utilizando Realidade Aumentada para melhorar a aprendizagem e o ensino”. Trata-se de um aplicativo que permite a exploração de manuscritos italianos pré-modernos. Como mudou a educação: estudantes da Universidade de Manchester, no Reino Unido, utilizam o aplicativo para fazer anotações digitais nos manuscritos. Isso facilita bastante o aprendizado, já que seria impossível fazer anotações à caneta em documentos históricos.   3. Cat Academy App O que é: um aplicativo que utiliza imagens de gatos executando ações e as associa a frases em espanhol. Como mudou a educação: o cérebro consegue armazenar mais facilmente informações quando estabelece ligações entre dados e imagens, e é exatamente isso que o aplicativo faz, facilitando o aprendizado da língua espanhola.   4. Impressoras 3D O que é: uma impressora que consegue criar objetos de plástico e outros materiais. Como mudou a educação: este tipo de impressora está sendo colocada em várias escolas do mundo, onde professores serão treinados para usá-las da melhor forma e deverão repassar seus conhecimentos para os alunos.   5. EVS O que é:  sistema de voltagem eletrônica usado por professores para testar os conhecimentos dos estudantes. Como mudou a educação: uma pergunta é feita e os alunos selecionam o número da resposta que consideram ser a correta. A opção escolhida aparece na lousa, e a correta fica iluminada. Em seguida, o professor esclarece possíveis dúvidas da classe garantindo a participação efetiva até dos mais tímidos, já que as escolhas são anônimas.   6. Gravação de aulas O que é: software que permite a gravação de aulas. Como mudou a educação: todas as aulas podem ser gravadas e assistidas quantas vezes for necessário, permitindo que o aluno aprenda no seu próprio tempo.   Adaptado via Universia

24 de Fevereiro de 2014