O homem que inverteu a sala de aula antes da tecnologia

homem que inverteu a sala de aula Em 1991, insatisfeito com o aprendizado dos seus alunos, o professor de física de Harvard Eric Mazur resolveu mudar a forma como ensinava, abolindo a transmissão de conteúdos na sala de aula. Seus estudantes deixaram de receber lições expositivas e passaram a ler as matérias em casa, enquanto nas aulas respondiam perguntas por computador sobre as lições e discutiam seus conhecimentos com os colegas. O resultado: começaram a aprender muito mais. Batizada de peer instruction (aprendizado entre pares), a experiência se tornou um método que vem sendo adotado em universidades do mundo todo, em aulas de todas as disciplinas. “O que a formação por pares faz é colocar a parte fácil da educação – a transmissão da informação – para fora da aula, e a parte difícil – dar sentido à informação – para dentro”, explica o inventor do método, que além de ter um livro sobre a abordagem (Instruction: A User’s Manual, sem tradução em português), trabalha desde a década de 90 para disseminar suas ideias. No último dia 19, Mazur participou, na cidade de Lorena em São Paulo, do lançamento de um consórcio entre 14 instituições de ensino brasileiras e a Laspau (Academic and Programs for the Americas), organização filiada à Universidade de Harvard, dos EUA. Essas universidades vão adotar o método gradualmente em seus cursos, com a ajuda de Mazur na formação dos primeiros professores que vão usar a metodologia. A intenção do consórcio é capacitar 300 professores em três anos. Confira os principais trechos da entrevista do físico para o site Porvir: Qual será o principal benefício que as universidades brasileiras que estão começando a usar o método de formação por pares terão com essa experiência? Os estudantes que serão ensinados por esse método vão aprender significativamente mais do que os ensinados pelo método tradicional de lições expositivas. E eu digo isso não apenas porque já vi o progresso dos meus próprios alunos, mas porque nos últimos 23 anos, no mundo todo, em aulas de diferentes disciplinas, ficou comprovado que o ensino ativo (active learning), que coloca o foco no estudante, beneficia os próprios estudantes. E quais podem ser as dificuldades que essas universidades e seus professores enfrentarão para implantar o novo método? Mudar é difícil, especialmente na universidade, que mudou muito pouco nos últimos 400 anos. Se você observar a maneira como ela ensina atualmente, verá que não é muito diferente do jeito que se ensinava há centenas de anos. Na sala de aula, existe uma pessoa falando em frente aos alunos, que anotam tudo o que ele diz. Além disso, os professores ainda estão satisfeitos com a maneira como atuam. Então, é bem difícil mudar, é preciso estar convencido de que a mudança é necessária, mas os professores estão satisfeitos em ser o centro das atenções na sala de aula, principalmente porque a maioria deles não se dá conta de quão pouco seus alunos aprendem. O senhor afirmou que tem provas de que seus alunos aprendem mais pelo método formação por pares. O senhor mediu o aprendizado deles? Sim, claro. Eu sou um físico, para mim avaliar e medir é extremamente importante. Desde que comecei a trabalhar dessa forma, em 1991, tenho feito isso. No início do semestre, eu dou aos estudantes uma espécie de teste, que eu nem chamo de teste, mas é uma série de 30 perguntas para avaliar o entendimento deles sobre o conteúdo que estou ensinando. Depois, eu ensino e avalio novamente no fim do semestre. Eu meço no primeiro dia de aula e no último. Já fazia isso quando ensinava pelo modelo tradicional e continuei fazendo na nova abordagem. Esse mesmo tipo de avaliação também foi feita por muitas outras pessoas, de diferentes instituições, diferentes países, e o resultado é que os alunos que são submetidos à formação por pares sempre aprendem muito mais. Esse teste, que o senhor não chama de teste, é diferente dos exames usados por professores do método tradicional? É bem diferente. Eu uso não apenas um modelo, mas vários tipos de avaliações que foram desenvolvidas por pesquisadores educacionais e são focados em medir o aprendizado. Qualquer professor pode passar a ensinar pelo método de formação por pares? Quando comecei a desenvolver o método, achei que poderia ser usado apenas para ensinar ciências, porque se adaptaria para o tipo de perguntas que eu faço nas classes, que têm sempre uma resposta certa e errada. Mas há muitas disciplinas, como história, ciências sociais, literatura, que nem sempre têm respostas objetivas e envolvem interpretação e opinião. Após publicar meu livro, em 1996, descobri que vários professores de disciplinas das áreas de humanas começaram a usar o meu método, tirando o foco do professor nas aulas e colocando no aluno. Nesses últimos 23 anos, desde que comecei a desenvolver essa abordagem, cheguei à conclusão de que ela pode ser usada para ensinar qualquer disciplina que envolve pensamento crítico. Entretanto, muitos professores gostam de ficar em frente aos alunos da classe apenas entregando a informação, em vez de mudar o foco para os estudantes. Então, intelectualmente, minha resposta é “sim, pode ser adotado por qualquer professor”, mas mestres, por suas personalidades, podem não gostar de perder o controle que têm numa sala de aula tradicional. É possível que alguns professores nunca tenham pensado sobre mudar o foco de suas aulas, porque nem imaginavam que isso fosse necessário ou possível. Nesses casos, como você os ensina a fazer diferente? Essa é uma das razões pelas quais eu estou indo para o Brasil. Novas ideias se espalham lentamente e as pessoas precisam, em primeiro lugar, estar convencidas de que elas são boas. Depois, é preciso mostrar a elas como introduzir as novas ideias. Esse é um dos meus trabalhos, é o que tenho feito nos últimos 20 anos. Eu publiquei um livro, que foi traduzido em muitas línguas. Alguns professores brasileiros também já visitaram minhas classes e trabalharam no meu grupo de estudos, e eles estão ajudando a disseminar essas ideias entre os professores brasileiros. O seu método já tem 23 anos. Se pensarmos em como o mundo está se transformando rapidamente, como as pessoas mudaram a maneira como se comunicam, é bastante tempo. Os alunos mudaram durante esse período? A mente humana é apta a aprender há milhares de anos. O jeito que aprendemos agora não é tão diferente da maneira que aprendíamos há 10, 20, 100 ou até 1.000 anos atrás.  Nós podemos aprender fazendo, embora essa não seja a maneira que a maioria de nós aprendeu até agora, a não ser no jardim da infância. Se você for a uma escola infantil, não verá crianças ouvindo uma aula expositiva, elas aprendem fazendo. Mas depois disso, não. As circunstâncias mudaram, a tecnologia também, mas a maneira como aprendemos, não. Os estudantes agora podem ter hábitos diferentes, mas aprendem do mesmo jeito.  Eu não concordo com pessoas que dizem que os estudantes mudaram, que eles não prestam atenção, eu acho que essas pessoas estão tirando o foco do que é importante. O funcionamento do cérebro para aprender não muda tão rápido. Minha resposta é: os alunos não são muito diferentes. Isso significa que o método, 23 anos após ser criado, ainda pode ser considerado inovador ou é necessário fazer uma nova transformação? Inovação significa mudar o jeito que as coisas acontecem de uma maneira dramática. Enquanto existir o modelo tradicional de ensino baseado em lições, o que eu acredito que ainda acontece em 99% das classes do mundo, a formação por pares – ou qualquer outro método de ensino ativo – ainda pode ser chamada de inovadora. Acredito que as mudanças não podem acontecer muito rapidamente. Se você muda o seu modo de ensinar muito rápido, as pessoas vão se assustar e se recusar a mudar. É importante que as pessoas tenham seu tempo para se acostumar com as transformações e se apropriar delas. Eu não quero chegar ao Brasil e dizer aos professores como eles têm que ensinar. Em vez disso, eu vou contar a eles o que aconteceu nas minhas classes, como eu ensinava, como passei a fazer e como meus alunos começaram a aprender mais. E vou deixar eles chegarem às suas próprias conclusões. Se gostarem da minha mensagem, podem decidir mudar também. O senhor já esteve no Brasil e fará uma nova visita essa semana. Quais são as suas impressões sobre os professores no país? Eles estão abertos a mudanças? Eu já estive na USP e na Universidade Federal de São Carlos, também já dei workshops para professores brasileiros em Harvard. Sempre fiquei bem impressionado pelo interesse e desejo deles de aprender novos métodos de ensino e experimentar. Em suas aulas, o senhor usa um sistema pelo qual os alunos respondem a perguntas, e normalmente organiza as salas de aula de forma diferente. Para implantar a educação por pares é necessário o suporte tecnológico e um ambiente favorável ou algum professor que se interesse por mudar o jeito de ensinar, mas não seja de uma universidade que esteja fazendo esse movimento, consegue fazer isso? A formação por pares não é uma tecnologia, é a mudança de foco que interessa. Muitas pessoas olham a formação por pares agora e se apaixonam pela tecnologia. Elas começam a ensinar desse jeito porque querem usar o sistema, o ambiente diferenciado da sala de aula, mas nas minhas palestras em São Paulo vou enfatizar e demonstrar como você pode usar esse método sem tecnologia. É importante entender que não é um novo método tecnológico, mas pedagógico. O senhor pode adiantar um pouco do que vai falar na palestra no Insper em São Paulo? Tenho uma mensagem muito importante a passar. Eu vejo educação como um processo de dois passos. O primeiro é transmitir informação, o segundo é proporcionar harmonia ao aluno, é fazer com que ele chegue àquele momento em que diz: “Sim, eu entendi!” No método tradicional, o professor coloca toda a atenção no primeiro passo, na transmissão da informação aos estudantes, fazendo uma exposição em frente à classe. Na minha abordagem de ensinar, é o estudante que se responsabiliza pela informação. O que a formação por pares faz é colocar a parte fácil da educação – a transmissão da informação – para fora da aula e a parte difícil – dar sentido à informação ­– para dentro. O que eu quero demonstrar para os professores com quem conversarei nos próximos dias é que, ao focar na transmissão de dados, muitos alunos não terão a oportunidade de assimilar e analisar a beleza dos conteúdos que estamos tentando ensinar. Eles só vão memorizar, mas isso não é aprender. Aprender é muito mais profundo. Vou mostrar que não é muito difícil mudar essas duas partes da educação, tirando a transmissão para fora da sala e colocando o entendimento para dentro dela. Essa será minha principal mensagem. Adaptado via Porvir

O homem que inverteu a sala de aula antes da tecnologia

homem que inverteu a sala de aula Em 1991, insatisfeito com o aprendizado dos seus alunos, o professor de física de Harvard Eric Mazur resolveu mudar a forma como ensinava, abolindo a transmissão de conteúdos na sala de aula. Seus estudantes deixaram de receber lições expositivas e passaram a ler as matérias em casa, enquanto nas aulas respondiam perguntas por computador sobre as lições e discutiam seus conhecimentos com os colegas. O resultado: começaram a aprender muito mais. Batizada de peer instruction (aprendizado entre pares), a experiência se tornou um método que vem sendo adotado em universidades do mundo todo, em aulas de todas as disciplinas. “O que a formação por pares faz é colocar a parte fácil da educação – a transmissão da informação – para fora da aula, e a parte difícil – dar sentido à informação – para dentro”, explica o inventor do método, que além de ter um livro sobre a abordagem (Instruction: A User’s Manual, sem tradução em português), trabalha desde a década de 90 para disseminar suas ideias. No último dia 19, Mazur participou, na cidade de Lorena em São Paulo, do lançamento de um consórcio entre 14 instituições de ensino brasileiras e a Laspau (Academic and Programs for the Americas), organização filiada à Universidade de Harvard, dos EUA. Essas universidades vão adotar o método gradualmente em seus cursos, com a ajuda de Mazur na formação dos primeiros professores que vão usar a metodologia. A intenção do consórcio é capacitar 300 professores em três anos. Confira os principais trechos da entrevista do físico para o site Porvir: Qual será o principal benefício que as universidades brasileiras que estão começando a usar o método de formação por pares terão com essa experiência? Os estudantes que serão ensinados por esse método vão aprender significativamente mais do que os ensinados pelo método tradicional de lições expositivas. E eu digo isso não apenas porque já vi o progresso dos meus próprios alunos, mas porque nos últimos 23 anos, no mundo todo, em aulas de diferentes disciplinas, ficou comprovado que o ensino ativo (active learning), que coloca o foco no estudante, beneficia os próprios estudantes. E quais podem ser as dificuldades que essas universidades e seus professores enfrentarão para implantar o novo método? Mudar é difícil, especialmente na universidade, que mudou muito pouco nos últimos 400 anos. Se você observar a maneira como ela ensina atualmente, verá que não é muito diferente do jeito que se ensinava há centenas de anos. Na sala de aula, existe uma pessoa falando em frente aos alunos, que anotam tudo o que ele diz. Além disso, os professores ainda estão satisfeitos com a maneira como atuam. Então, é bem difícil mudar, é preciso estar convencido de que a mudança é necessária, mas os professores estão satisfeitos em ser o centro das atenções na sala de aula, principalmente porque a maioria deles não se dá conta de quão pouco seus alunos aprendem. O senhor afirmou que tem provas de que seus alunos aprendem mais pelo método formação por pares. O senhor mediu o aprendizado deles? Sim, claro. Eu sou um físico, para mim avaliar e medir é extremamente importante. Desde que comecei a trabalhar dessa forma, em 1991, tenho feito isso. No início do semestre, eu dou aos estudantes uma espécie de teste, que eu nem chamo de teste, mas é uma série de 30 perguntas para avaliar o entendimento deles sobre o conteúdo que estou ensinando. Depois, eu ensino e avalio novamente no fim do semestre. Eu meço no primeiro dia de aula e no último. Já fazia isso quando ensinava pelo modelo tradicional e continuei fazendo na nova abordagem. Esse mesmo tipo de avaliação também foi feita por muitas outras pessoas, de diferentes instituições, diferentes países, e o resultado é que os alunos que são submetidos à formação por pares sempre aprendem muito mais. Esse teste, que o senhor não chama de teste, é diferente dos exames usados por professores do método tradicional? É bem diferente. Eu uso não apenas um modelo, mas vários tipos de avaliações que foram desenvolvidas por pesquisadores educacionais e são focados em medir o aprendizado. Qualquer professor pode passar a ensinar pelo método de formação por pares? Quando comecei a desenvolver o método, achei que poderia ser usado apenas para ensinar ciências, porque se adaptaria para o tipo de perguntas que eu faço nas classes, que têm sempre uma resposta certa e errada. Mas há muitas disciplinas, como história, ciências sociais, literatura, que nem sempre têm respostas objetivas e envolvem interpretação e opinião. Após publicar meu livro, em 1996, descobri que vários professores de disciplinas das áreas de humanas começaram a usar o meu método, tirando o foco do professor nas aulas e colocando no aluno. Nesses últimos 23 anos, desde que comecei a desenvolver essa abordagem, cheguei à conclusão de que ela pode ser usada para ensinar qualquer disciplina que envolve pensamento crítico. Entretanto, muitos professores gostam de ficar em frente aos alunos da classe apenas entregando a informação, em vez de mudar o foco para os estudantes. Então, intelectualmente, minha resposta é “sim, pode ser adotado por qualquer professor”, mas mestres, por suas personalidades, podem não gostar de perder o controle que têm numa sala de aula tradicional. É possível que alguns professores nunca tenham pensado sobre mudar o foco de suas aulas, porque nem imaginavam que isso fosse necessário ou possível. Nesses casos, como você os ensina a fazer diferente? Essa é uma das razões pelas quais eu estou indo para o Brasil. Novas ideias se espalham lentamente e as pessoas precisam, em primeiro lugar, estar convencidas de que elas são boas. Depois, é preciso mostrar a elas como introduzir as novas ideias. Esse é um dos meus trabalhos, é o que tenho feito nos últimos 20 anos. Eu publiquei um livro, que foi traduzido em muitas línguas. Alguns professores brasileiros também já visitaram minhas classes e trabalharam no meu grupo de estudos, e eles estão ajudando a disseminar essas ideias entre os professores brasileiros. O seu método já tem 23 anos. Se pensarmos em como o mundo está se transformando rapidamente, como as pessoas mudaram a maneira como se comunicam, é bastante tempo. Os alunos mudaram durante esse período? A mente humana é apta a aprender há milhares de anos. O jeito que aprendemos agora não é tão diferente da maneira que aprendíamos há 10, 20, 100 ou até 1.000 anos atrás.  Nós podemos aprender fazendo, embora essa não seja a maneira que a maioria de nós aprendeu até agora, a não ser no jardim da infância. Se você for a uma escola infantil, não verá crianças ouvindo uma aula expositiva, elas aprendem fazendo. Mas depois disso, não. As circunstâncias mudaram, a tecnologia também, mas a maneira como aprendemos, não. Os estudantes agora podem ter hábitos diferentes, mas aprendem do mesmo jeito.  Eu não concordo com pessoas que dizem que os estudantes mudaram, que eles não prestam atenção, eu acho que essas pessoas estão tirando o foco do que é importante. O funcionamento do cérebro para aprender não muda tão rápido. Minha resposta é: os alunos não são muito diferentes. Isso significa que o método, 23 anos após ser criado, ainda pode ser considerado inovador ou é necessário fazer uma nova transformação? Inovação significa mudar o jeito que as coisas acontecem de uma maneira dramática. Enquanto existir o modelo tradicional de ensino baseado em lições, o que eu acredito que ainda acontece em 99% das classes do mundo, a formação por pares – ou qualquer outro método de ensino ativo – ainda pode ser chamada de inovadora. Acredito que as mudanças não podem acontecer muito rapidamente. Se você muda o seu modo de ensinar muito rápido, as pessoas vão se assustar e se recusar a mudar. É importante que as pessoas tenham seu tempo para se acostumar com as transformações e se apropriar delas. Eu não quero chegar ao Brasil e dizer aos professores como eles têm que ensinar. Em vez disso, eu vou contar a eles o que aconteceu nas minhas classes, como eu ensinava, como passei a fazer e como meus alunos começaram a aprender mais. E vou deixar eles chegarem às suas próprias conclusões. Se gostarem da minha mensagem, podem decidir mudar também. O senhor já esteve no Brasil e fará uma nova visita essa semana. Quais são as suas impressões sobre os professores no país? Eles estão abertos a mudanças? Eu já estive na USP e na Universidade Federal de São Carlos, também já dei workshops para professores brasileiros em Harvard. Sempre fiquei bem impressionado pelo interesse e desejo deles de aprender novos métodos de ensino e experimentar. Em suas aulas, o senhor usa um sistema pelo qual os alunos respondem a perguntas, e normalmente organiza as salas de aula de forma diferente. Para implantar a educação por pares é necessário o suporte tecnológico e um ambiente favorável ou algum professor que se interesse por mudar o jeito de ensinar, mas não seja de uma universidade que esteja fazendo esse movimento, consegue fazer isso? A formação por pares não é uma tecnologia, é a mudança de foco que interessa. Muitas pessoas olham a formação por pares agora e se apaixonam pela tecnologia. Elas começam a ensinar desse jeito porque querem usar o sistema, o ambiente diferenciado da sala de aula, mas nas minhas palestras em São Paulo vou enfatizar e demonstrar como você pode usar esse método sem tecnologia. É importante entender que não é um novo método tecnológico, mas pedagógico. O senhor pode adiantar um pouco do que vai falar na palestra no Insper em São Paulo? Tenho uma mensagem muito importante a passar. Eu vejo educação como um processo de dois passos. O primeiro é transmitir informação, o segundo é proporcionar harmonia ao aluno, é fazer com que ele chegue àquele momento em que diz: “Sim, eu entendi!” No método tradicional, o professor coloca toda a atenção no primeiro passo, na transmissão da informação aos estudantes, fazendo uma exposição em frente à classe. Na minha abordagem de ensinar, é o estudante que se responsabiliza pela informação. O que a formação por pares faz é colocar a parte fácil da educação – a transmissão da informação – para fora da aula e a parte difícil – dar sentido à informação ­– para dentro. O que eu quero demonstrar para os professores com quem conversarei nos próximos dias é que, ao focar na transmissão de dados, muitos alunos não terão a oportunidade de assimilar e analisar a beleza dos conteúdos que estamos tentando ensinar. Eles só vão memorizar, mas isso não é aprender. Aprender é muito mais profundo. Vou mostrar que não é muito difícil mudar essas duas partes da educação, tirando a transmissão para fora da sala e colocando o entendimento para dentro dela. Essa será minha principal mensagem. Adaptado via Porvir

28 de Março de 2014

Como aplicar a “Sala de Aula Invertida”?

Professores e gestores de todo o país que não sabem como aplicar a “Sala de Aula Invertida”, onde a ideia é focar mais no aluno e menos no professor, poderão participar de um curso on-line, que será realizado entre os dias 16 de setembro e 4 de outubro. Um dos principais estudiosos do tema, o norte-americano Jon Bergmann será o instrutor. Visa a otimizar o tempo da sala de aula com um contato professor-aluno mais produtivo, a “Sala de Aula Invertida” é um conceito ainda recente entre educadores brasileiros. Nos Estados Unidos, desde 2006, professores e especialistas têm estudado experiências na área. “O processo de aprendizagem, de fato, passa a funcionar de uma maneira diferente. A grande vantagem é que o aluno aprende de uma forma mais personalizada. É no momento de antecipação dos estudos, quando o aluno fica diante do exercício ou explicação proposto no canal do YouTube, que vai ocorrer um maior processo pessoal”, diz Wilson Azevêdo, diretor técnico-pedagógico da Aquifolium Educacional, organizadora do curso, e especialista em inovação em educação. Para entender um pouco sobre o conceito e como ele tem chegado aos profissionais de educação do país, confira uma entrevista feita com ele: Como o senhor define a sala de aula invertida e qual a vantagem do modelo? A inversão é muito clara. Em linhas gerais, o fluxo de informações que hoje é da sala de aula para casa, passa a ser da casa para a sala de aula. Mas essa inversão é muito mais do que uma mudança na agenda de horários. O processo de aprendizagem, de fato, passa a funcionar de uma maneira diferente. A grande vantagem é que o aluno passa a aprender de uma forma mais personalizada. Mas como ocorre essa personalização? Com as atividades imersas dentro da lógica da sala de aula invertida, os alunos ficam diante de exercícios com conteúdos mais genéricos que podem ser explorados por meio de vídeos pedagógicos on-line, por exemplo, repassados pelos professores para serem vistos de casa. É esse momento de antecipação dos estudos, quando o aluno fica diante do exercício ou explicação proposto no canal do YouTube, que vai ocorrer um maior processo mais pessoal. A aplicação da flip tem demonstrado que a flexibilidade permitida pelos vídeos, que podem ser acessados a qualquer momento, torna o processo muito mais eficiente. E o acesso pode ser feito, por exemplo, no ônibus a caminho da escola, não apenas em casa. Com o conteúdo genérico repassado com brevidade a todos, os estudantes focariam no contato mais próximo com o professor para o esclarecimento de dúvidas. Para funcionar plenamente essa lógica os alunos precisam ser mais disciplinados? Não trata de ser mais disciplinado, ele precisa continuar tendo uma rotina de estudos regular. Ele precisa separar um tempo para fazer o que deveria fazer em sala de aula, mas agora de uma forma mais estratégica e focada. E, o mais importante, é que precisamos aproveitar de forma mais qualitativa o tempo da sala de aula. O nosso sistema educacional está preparado para aderir a sala de aula invertida? O fato é que precisamos melhorar nossa educação e a sala de aula invertida pode ser uma saída interessante. Mas temos sempre que ter em mente que o tempo da educação é diferente do tempo da tecnologia. Países como a Finlândia levaram décadas para mudar o seus sistemas educacionais, considerados um dos mais inovadores do mundo. Fonte: Porvir

9 de setembro de 2013

Infográfico explica a Sala de Aula Invertida

Na semana passada, falamos aqui no blog sobre a Sala de Aula Invertida, a qual a ideia é usar os recursos educacionais recentemente popularizados pela tecnologia, como as videoaulas ou ambientes virtuais de determinados cursos, para que o aluno tenha contato com o conteúdo em casa.

Para aprofundar mais o assunto, mostramos hoje para você um infográfico que apresenta dados que comprovam a eficiência do método e que explica como funciona e o que é a Sala de Aula Invertida!

Veja:

Sala de Aula Invertida

28 de Janeiro de 2013

A sala de aula invertida de Salman Khan

Em sua primeira visita ao Brasil –com direito a conversa com a presidenta Dilma Rousseff e com o ministro da Educação, o professor Salman Khan que virou celebridade, teve suas aulas assistidas quase 230 milhões de vezes nos últimos sete anos e, no ano passado, foi considerado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Ex-aluno do MIT e Harvard, gravou vídeos curtos, bem diretos ao ponto, com a explicação narrada ao fundo e números aparecendo em uma lousa para ajudar uma prima com dificuldades em matemática. Sem saber, suas aulas não estavam mais ajudando apenas Nadia, mas parentes, amigos e até os filhos do Bill Gates.

Quando chegaram ao YouTube, os vídeos se tornaram tão populares que o educador largou o mercado financeiro para se dedicar à Khan Academy, que hoje usa o mesmo formato para dar aulas de matemática, ciências, programação e humanidades. Com sua própria academia, Khan começava a liderar um movimento de reformulação de salas de aula em todo mundo, invertendo a sala de aula, ou o que em inglês é chamado de flip the classroom. Isso mesmo: ele tem colocado a classe de cabeça para baixo. O conceito de sala de aula invertida tem encontrado adeptos não apenas na educação básica, mas também na educação superior. A ideia é usar os recursos educacionais recentemente popularizados pela tecnologia, como as videoaulas ou ambientes virtuais de determinados cursos, para que o aluno tenha contato com o conteúdo em casa. Assim, o tempo da sala de aula fica liberado para que professores e alunos avancem no aprendizado, seja fazendo exercícios, tirando dúvidas, promovendo debates. Um infográfico ilustra a ideia de Salman Khan, veja: Fonte: porvir.org

23 de Janeiro de 2013