As plataformas colaborativas cada vez mais presentes em universidades

Inspirando-se em empresas que se comunicam com seus consumidores através de redes sociais, instituições de ensino têm criado plataformas interativas para estreitar o relacionamento entre alunos e professores. A ideia é que profissionais de cursos de pós-graduação complementem o trabalho de aprendizado em sala de aula usando ambientes virtuais para trocar experiências e materiais didáticos.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio (ESPM-RJ), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Ibmec são exemplos de escolas em que o compartilhamento do ensino já é realidade. A ideia é otimizar a troca de informações e acelerar o fluxo de conhecimento.

Ao contrário do que muitos pensam, o sites não são apenas diretórios on-line em que os estudantes apenas se inscrevem em novas disciplinas e conferem suas notas. Um exemplo é a Blackboard, ferramenta adquirida pela ESPM-Rio, onde alunos de graduação e pós podem acessar a biblioteca digital da instituição, entregar trabalhos, ler veículos informativos de vários países e ainda trocar mensagens internas com colegas e professores, via e-mail ou chat. A plataforma possui inúmeras ferramentas, como blog, fórum, flickr, testes on-line, e até um sistema para busca de plágio que ajuda a combater a cópia de trabalhos.

“A nossa meta é produzir um ambiente de aprendizagem em rede” resume José Francisco Vinci de Moraes, coordenador do núcleo de Tecnologias Mistas de Aprendizagem da ESPM de São Paulo.

Já a UFRJ acaba de lançar o Espaço Alexandria, projeto baseado na cooperação interdisciplinar entre grupos de pesquisa com interesses comuns, principalmente em comunicação, neurociência e computação. Aberto a todos, o site é o único que não exige login nem senha para ser acessado, mas ainda carece de patrocínio. “O nosso objetivo é promover o diálogo da universidade e da sociedade com a inovação.” resume o professor Luiz Bevilacqua, idealizador do site.

Outra vantagem do uso de plataformas colaborativas on-line nas instituições de ensino é a possibilidade de alunos e professores terem acesso a elas a qualquer hora, de qualquer lugar, através de tablets e smartphones. A mobilidade, nesses casos, funciona como mais um componente que otimiza a troca de informações.

Pioneira em disponibilizar conteúdo mobile, a ESPM permite que os usuários do Blackboard acessem suas disciplinas através de dispositivos móveis. Segundo José Francisco Vinci de Moraes, coordenador do Núcleo de Tecnologias Mistas de Aprendizagem da escola, esse tipo de investimento já é uma tendência nos Estados Unidos e na Europa. “Aplicativos para mobile simplificam a navegação porque não exigem acesso ao browser e garante mais interatividade. Postar informações ou receber avisos de professores são atividades realizadas mais facilmente e sem a necessidade de um computador” explica Moraes, destacando que os alunos também podem baixar o sistema pelo Facebook.

A FGV já está adaptando a sua plataforma – que funciona como diretório de busca de emprego – para ser acessada via celular e tablet. O projeto faz parte do plano de reestruturação do sistema, que visa a aumentar suas funcionalidades. “Face às inovações previstas, tenho certeza de que esse é o caminho” afirma André Barcaui, coordenador dos MBAs de Gerência de Projetos e Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação da FGV-RJ.

O Ibmec conta com a plataforma Bota pra Fazer, que serve para o desenvolvimento de cursos de empreendedorismo e criação de negócios. Adaptado para o Brasil pela Endeavor, a partir da metodologia FastTrac, da Fundação Kauffman, dos Estados Unidos, o sistema permite que os usuários desenvolvam atividades individuais para testar sua capacidade empreendedora, além de acessar textos e vídeos sobre empresas que começaram do zero e hoje ocupam lugar de destaque no mercado.

“A plataforma serve de apoio ao desenvolvimento de planos de negócios. Trabalha-se a teoria em sala e depois usa-se a ferramenta para por em prática o que se aprendeu” resume Leonardo Filardi, professor de empreendedorismo e planos de negócios nos MBAs de gestão, marketing e finanças. “O sistema extrapola as fronteiras da sala e leva a uma integração maior. O resultado é um enorme ganho de qualidade.”

Adaptado via O Globo

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Tendências para o ensino superior na América Latina

Em um prazo de quatro a cinco anos, ferramentas como laboratórios remotos, internet das coisas e aprendizado mecânico, serão amplamente utilizadas nas universidades da América Latina. O mais novo relatório do NMC (New Media Consortium), dedicado a estudar o ensino superior latino-americano e publicado neste mês, prevê as 12 tecnologias emergentes que serão comuns no ensino superior em três prazos distintos – menos que um ano, de dois a três anos, e de quatro a cinco anos. Além disso, aponta também as 10 grandes tendência na educação e os desafios que esses movimentos ainda tendem a enfrentar.

O NMC produz relatórios sobre tendências na educação específicas quase que mensalmente. No caso do relatório das universidades latino-americanas, 44 especialistas, dentre os quais três brasileiros, trabalharam na pesquisa entre os meses de maio e junho. “Esse relatório destaca as principais tecnologias emergentes que educadores, gestores e tomadores de decisão precisam levar em consideração como um caminho para enriquecer o ensino e o aprendizado na educação superior da América Latina”, diz José María Antón, um dos principais pesquisadores do projeto.

No que diz respeito às tecnologias, em um intervalo de no máximo um ano, os especialistas esperam ver abundantemente nas universidades os ambientes colaborativos, aprendizado on-line, conteúdo aberto e o uso de mídias sociais. Entre dois e três anos, a expectativa é para realidade aumentada, ferramentas analíticas, aprendizado móvel e o personalizado. Para quatro ou cinco anos, apontaram as impressoras 3D, os laboratórios virtuais e remotos e a inteligência das coisas.

Todas essas tecnologias, afirmam os pesquisadores, são possibilitadas devido a grandes tendências que se observam no campo da educação e fora dele. Confira, a seguir, as 12 tecnologias e as 10 tendências previstas pelos especialistas em um infográfico publicado pelo Porvir:

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As 6 tendências comuns das universidades em 2020

A educação vive momentos de ruptura com sistemas que têm se mostrado inadequados para a realidade do século 21. É a tecnologia sendo absorvida organicamente por alunos e prometendo melhorar as oportunidades de aprendizado. E essa efervescência, que chega com força às escolas, não deixou as universidades de fora. A CIO da Blackboard,  Katie Blot, estudou as tendências que têm observado na educação e tentou prever o que será comum para as universidades em 2020. “Fizemos uma lista só de seis tendências. Mas tem muita coisa acontecendo na educação, em diferentes países”, afirmou ela ao Porvir. Veja, a seguir, a lista das tendências para o ensino superior apontadas por Blot, com os comentários e dados trazidos pela especialista:

1. Educação global- Para Blot, a educação tem se tornado uma prioridade para muitos países e as barreiras geográficas têm desaparecido. “As pessoas poderão consumir educação de diferentes lugares. E eu não estou falando de Moocs [cursos on-line, normalmente de nível superior, dados de graça]. Estou falando de sistemas de educação tradicionais”, diz ela. Segundo a especialista, as instituições têm se conectado com outras e facilitado a ida de seus estudantes para outros países. “Parece que estamos nos encaminhando para uma situação em que mais alunos vão complementar sua educação com estudos feitos internacionalmente. Temos percebido uma tendência de instituições de diferentes países firmarem parcerias”, complementa.

2. Modelos alternativos- De acordo com Blot, a tecnologia tem facilitado a avaliação de resultados e, em muitos casos, tem escancarado desempenhos muito ruins. Assim, afirma ela, existe um sentimento geral de que é preciso tentar coisas novas. “No futuro vamos ver muita experimentação em educação, não necessariamente em um único modelo. Não vamos mais ter ‘o modelo de educação dos EUA’ ou ‘o modelo francês de educação’. O que vamos ver é que a educação precisará desenvolver uma miríade de diferentes modelos que podem ser usados juntos por diferentes atores”, diz ela.

3. Voltada para as necessidades do aluno- O trabalho de Blot na Blackboard a faz conviver com diferentes universidades. Sua percepção é que está havendo uma mudança do foco do ensino. Primeiro, afirma ela, as instituições ofereciam uma aprendizagem muito voltada para as suas necessidades ou para as necessidades de seu programa ou de um curso específico. Agora, ela acredita que o estudante está no centro dos processos de ensino e aprendizagem. “O que vamos ver é uma educação centrada no estudante. No futuro, os alunos vão deixar de ouvir as instituições dizerem: ‘Isso é o que você tem que estudar, esse é o seu caminho, aqui estão suas notas e seu certificado’. Os alunos vão assumir a responsabilidade e poderão dizer: ‘o caminho que eu quero é esse’”, afirma Blot. A especialista ainda destaca o papel dos Moocs na personalização do ensino. “As experiências de educação formal e informal estarão juntas, com os Moocs, por exemplo. É um processo de individualização dos cursos, em que o aluno vai fazer com que a sua experiência seja diferente da do colega. Os alunos vão reunir créditos das mais diferentes fontes”, sugeriu ela.

4. Revolução on-line e tecnológica- Esta quarta tendência é chamada de “quase óbvia” por Blot. A presença de recursos digitais e tecnológicos nas salas de aula já existe, mas, para a especialista, nos próximo anos haverá uma mudança de perspectiva e de importância dada para as aulas on-line. “Estamos caminhando para um futuro em que o on-line não será mais suplementar, mas se tornará parte do curso. É engraçado ver crianças de 4 ou 5 anos interagindo com tecnologia. Vendo os pequenos, fica claro que a tecnologia vai desempenhar um papel cada vez mais importante”, afirma ela.

5. Alunos não tradicionais- Blot cita um dado do National Center for Education Statistics, órgão dos EUA responsável por estatísticas em educação, que diz que, até 2020 os “estudantes tradicionais” serão apenas 15% do total, contra 85% de alunos não tradicionais. De acordo com os critérios do órgão norte-americano, são considerados estudantes não tradicionais alunos que satisfazem ao menos uma das características: matriculam-se tarde (completam os estudos fora da idade esperada), trabalham 35 horas ou mais, são arrimos de família, são pais ou mães solteiro(a)s, optam por sistemas de ensino diferentes do tradicional presencial, dentre outras características.

6. Big data- A última das tendências apontada por Blot foi o uso de dados e das ferramentas de analytics para facilitar decisões pedagógicas. “Nos EUA, a educação está sendo uma das últimas indústrias a usar dados para orientar as tomadas de decisão. Já estamos vendo professores usarem alguns dados para modificar a forma como ensinam. Mas o big data mesmo ainda está chegando: sabermos como instituições têm ido, o que podemos aprender sobre por que um estudante é bem sucedido. Além disso, o big data traz uma cultura de análise para a tomada de decisão”, diz ela.

Fonte: Porvir

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Pavlos Dias fala sobre tecnologias nas universidades

O Gerente da Blackboard Brasil, Pavlos Dias, falou na Folha de São Paulo sobre as tecnologias que vão revolucionar as universidades. Confira na integra a matéria:

Estudo mostra seis tecnologias que vão revolucionar as universidades

Seis tecnologias devem mudar o cenário da educação superior nos próximos cinco anos. É o que identificou um relatório publicado por um grupo de especialistas em tecnologia educacional das instituições New Media Consortium (NMC) e Educase.

O estudo classificou as tendências em curto, médio e longo prazo.

CURTO PRAZO

A tecnologia dos cursos on-line e tablets deve impactar o ensino superior nos próximos 12 meses.

Segundo o relatório, esses cursos estão se tornando cada vez mais populares entre os estudantes. “Os cursos on-line já são encarados como realidade. Por lei, as instituições de ensino já são autorizadas a entregar 20% do conteúdo de seus cursos dessa maneira. Grandes nomes da educação já utilizam essa ferramenta e há um grande crescimento na modalidade de ensino à distância também, afirma Pavlos Dias, gerente da empresa de tecnologia para a educação Blackboard no Brasil.

Já os tablets podem auxiliar o ensino fora das universidades, que inclusive já tem softwares para explorar essa possibilidade. Segundo Dias, a discussão é definir se as universidades devem oferecer os tablets, ou apenas a solução para que cada estudante use seu aparelho.

MÉDIO PRAZO

Nos próximos três a cinco anos, a linguagem dos jogos eletrônicos e o “big data” (análise de grande volume de dados) também devem se destacar.

“Hoje, existem muitos aplicativos que ajudam na execução de tarefas. A tendência é que isso chegue à educação também. Além disso, as aulas precisam ser mais divertidas, e os games podem ajudar a atrair alunos que buscam por isso”, diz o gerente.

Já o “big data” pode ajudar na implantação de um ensino mais personalizado. Assim como o recurso é utilizado em áreas de negócios para analisar comportamento e hábitos de consumidores, ele pode apontar as preferências e necessidades dos alunos.

“Isso é algo que ainda vai evoluir muito. A gente espera que daqui a alguns anos o ensino superior seja totalmente personalizado e dê a cada aluno exatamente o que ele precisa e o que funciona para o seu aprendizado”, afirma Dias.

LONGO PRAZO

Em cinco anos, as tecnologias da impressão 3D e de equipamentos integrados a roupas e acessórios — como óculos — devem mudar o cenário educacional.

A impressão tridimensional deve facilitar a criação de protótipos e modelos, e ser bastante utilizada nas áreas de artes, design e ciências.

De acordo com o relatório, as tecnologias de equipamentos como o Google Glass dão aos usuários uma experiência de “realidade ampliada”. Além disso, outros dispositivos podem monitorar as condições físicas de uma pessoa em tempo real, sendo úteis nas áreas biológicas.

“O Google Glass é algo que pode vir a ser bastante explorado. Gravar uma aula e assisti-la novamente em casa ou fazer marcações em uma aula em vídeo pode ajudar muito no desempenho de um aluno”, diz o especialista.

Segundo Dias, o importante é se atentar à capacidade de absorção dos professores a essas novas tecnologias. “Temos que comparar a velocidade com que as tecnologias avançam com a velocidade que os professores vão absorver isso. Precisamos prepará-los para essas novas tendências e não fazer com que isso seja mais um problema para eles”, explica.

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O futuro da universidade é on-line?

Gregory Nagy, um professor de literatura grega clássica na Universidade de Harvard, é um daqueles acadêmicos que, mesmo em se tratando de futuro, vai começar a falar sobre Homero e as batalhas do passado. Apesar dessa relação com coisas antigas, Nagy foi o criador de um curso chamado “Conceitos do herói”, um dos primeiros Moocs da Universidade de Harvard.

Para muitas pessoas, os Moocs são o futuro do ensino superior. É por isso que, nos últimos dois anos Harvard, MIT, Universidade do Texas, prometeram dezenas de milhões de dólares para o desenvolvimento de cursos massivos gratuitos. Legisladores também acreditam que essa modalidade de ensino vai ser a solução para a superlotação nas escolas. Na Califórnia, por exemplo, um projeto de lei apresentado no começo deste ano exigiria que universidades públicas aceitassem créditos de cursos on-line.

A discussão está no ar lá nos EUA e não apenas lá. Saber se o futuro das universidades é on-line é a questão que tem feito com que pesquisadores, especialistas em educação, professores e alunos se unam em torno desse debate, que é importante e deve ser feito para enriquecer e rever as formas de educar.

Fontes:  Porvir e New Yorker

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