Educadora fala sobre grandes mudanças importantes para o ensino

Léa Fagundes, com 83 anos de vida, já dedicou quase 60 ao magistério e mais de 20 ao estudo da informática na educação. Inovadora desde sempre, a coordenadora do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) defende um modelo de inclusão digital nas escolas em que o aluno seja protagonista do aprendizado.

Em entrevista para o site Terra, ela fala sobre as mudanças radicais que devem ocorrem para melhorar o ensino, veja:

Terra- Em que nível o Brasil está hoje no que diz respeito à inclusão digital e ao uso de ferramentas computacionais em sala de aula?
Léa Fagundes – O Brasil é um continente, então não dá para dizer “no País”. No Amapá, é uma realidade, em Curitiba é outra. Mas, apesar de todas as diferenças, nós temos uma unidade cultural, falamos a mesma língua, e os programas dos currículos são semelhantes. Os NTEs (Núcleos de Tecnologia Educacional) e a formação dos professores que veio junto com eles avançaram muito o Brasil nessa área. Chegou um momento em que a gente teve que criar cada vez mais núcleos e, com eles, mais laboratórios (de informática). Acontece que nós não queríamos mais laboratórios, porque isso não resolve a questão da inclusão.

Por que os laboratórios não são uma solução? No mundo, e aqui no Brasil inclusive, quando começou a se falar em inclusão digital nas escolas foram instalados laboratórios. Por quê? Porque os computadores eram muito caros, então não podia ter fartura, não era possível um por aluno, e laboratórios eram mais viáveis. Mas qual o problema deles?  Na maior parte das vezes, são formados técnicos para trabalhar no local, mas o professor de sala de aula não vai ao laboratório e não se especializa. Então os alunos vão ao laboratório, depois voltam e o docente manda que eles se sentem um atrás do outro e abram o caderno, não há integração entre os momentos. Por isso nos encantamos com a ideia do OLPC (One Laptop Per Child, projeto de computador educacional iniciado no Massachusetts Institute of Technology, hoje desenvolvido em uma associação de mesmo nome, presidida por Nicholas Negroponte).

Quais são as principais diferenças da inclusão digital nas escolas no Brasil em relação a outros países? A principal diferença entre nós e países da América do Norte e da Europa é que aqui adotamos um programa em que as crianças podem programar o computador, e não serem ensinadas por ele. Nós defendemos a linguagem Logo (criada por Seymour Papert, um dos idealizadores do OLPC) para a informática na educação. Na maior parte do mundo, são colocados computadores e um sistema para ensinar a criança, como se fosse o conteúdo passado por um professor para o aluno. Esse é outro paradigma, é uma mudança completa na escola. O estudante passa a ser investigador e a programar o computador. Agora tu me perguntas: o Brasil está melhor nessa área? Sim. Mais do que todos os países? Não. Mas, por exemplo, na França, formaram mil professores, e o computador era barato porque era nacional. Mas esse modelo também era tradicional, de professor que tem que saber mais que aluno. Para mim, não é assim, vejo o aluno como um pesquisador, e o professor, um orientador.

Como deve ocorrer essa mudança? É importante destacar que a questão não é aprender a mexer no equipamento, nem aprender conteúdo de sala de aula no computador, é o aluno programando, pesquisando, isso exige um currículo totalmente novo. O currículo, que a gente luta para transformar, tem de ser interdisciplinar e não precisa ser sequencial. Por exemplo, quando o aluno chega para o professor e diz que tem curiosidade de aprender determinado tema, e o professor responde que não pode, porque o conteúdo é do próximo ano, isso prejudica o aprendizado. O aluno tem que ter curiosidade no que é ensinado, por isso o problema apresentado tem de ser instigante, interessante. Os alunos surpreendem a gente.

Quais são os entraves enfrentados na inclusão da tecnologia no ambiente escolar? Nós temos bons programas nacionais de educação e informática, e nos últimos 30 anos tivemos muitos projetos de visão nacional. O problema é que, quando mudam os governos, os projetos sofrem muito, porque as pessoas que entram na nova gestão não têm conhecimento suficiente ou não querem prestigiar o partido que antecedeu, então temos tido dificuldade com a continuidade. Por outro lado, o Brasil tem uma história, e ela, apesar de interrupções, não estacionou, está avançando. E eu acredito que futuros professores vão mudar esse cenário, pois são pessoas novas que gostam de tecnologia e não têm medo.

A senhora percebe resistência de educadores ou das próprias instituições em relação às tecnologias? Há medo de romper hierarquias? Hierarquia é a palavra-chave. Na escola, as crianças são tratadas quase ditatorialmente. Sentam-se em fila e, caso se virem, têm que justificar. Os professores dizem “não olha para o lado, não cola do colega”. A cola deveria ser obrigatória. Cola é cooperação. É uma criança colocando a dúvida, e outras tentando ajudar. Você tem avaliações em que uma só resposta é certa, e todos os alunos têm que dizer a mesma coisa. O problema não é ter apenas uma resposta certa, mas eles (os estudantes) têm que testar essas respostas e ver qual resolve melhor o problema. Mas o pior são os cursos de licenciatura, que formam professores, mas não se atualizam.

A mudança desse paradigma deve começar na universidade? Parece que isso é ilusão, sonho. Os professores que ensinam nas universidades são doutores, famosos, escrevem teses científicas e livros. Eles não querem dar o braço a torcer e dizer “nós temos que aprender de novo”. Então o computador não entra nas licenciaturas, que é onde deve estar. As melhores licenciaturas são aquelas em que os cursos abraçam a tecnologia. Ser professor é um encantamento, e é um encantamento também em poder se atualizar.

Fonte: http://noticias.terra.com.br

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O futuro da universidade é on-line?

Gregory Nagy, um professor de literatura grega clássica na Universidade de Harvard, é um daqueles acadêmicos que, mesmo em se tratando de futuro, vai começar a falar sobre Homero e as batalhas do passado. Apesar dessa relação com coisas antigas, Nagy foi o criador de um curso chamado “Conceitos do herói”, um dos primeiros Moocs da Universidade de Harvard.

Para muitas pessoas, os Moocs são o futuro do ensino superior. É por isso que, nos últimos dois anos Harvard, MIT, Universidade do Texas, prometeram dezenas de milhões de dólares para o desenvolvimento de cursos massivos gratuitos. Legisladores também acreditam que essa modalidade de ensino vai ser a solução para a superlotação nas escolas. Na Califórnia, por exemplo, um projeto de lei apresentado no começo deste ano exigiria que universidades públicas aceitassem créditos de cursos on-line.

A discussão está no ar lá nos EUA e não apenas lá. Saber se o futuro das universidades é on-line é a questão que tem feito com que pesquisadores, especialistas em educação, professores e alunos se unam em torno desse debate, que é importante e deve ser feito para enriquecer e rever as formas de educar.

Fontes:  Porvir e New Yorker

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Conheça os cinco principais conceitos que vão mudar a escola e o aprendizado

No evento Transformar  2013, realizado em São Paulo no início de abril, foram apresentados exemplos de modelos de ensino inovadores dos Estados Unidos que mostram como será a educação do futuro.  As mais de 800 pessoas que participaram do evento, entre educadores, gestores e empreendedores, conheceram exemplos concretos norte-americanos de escolas inovadoras que mostram que já é possível personalizar a aprendizagem e que não há apenas um modelo para fazer isso.

Conheça os cinco conceitos que vão transformar as escolas:

Personalização – Entender as necessidades de cada estudante é o diferencial da School of One, uma plataforma criada para escolas de Nova York por Rose e Christopher Rush e que tem a tecnologia como principal aliada para a tarefa. O sistema elabora um mapa de habilidades e plano de estudos individual. Mas, para isso, utiliza experiências de outros alunos. Um enorme repositório de lições está disponível e o banco de dados prevê que tipo de atividade é mais adequado ao perfil de cada um. Uma receita parecida é usada no grupo de escolas Summit, na Califórnia, na qual os estudantes passam por uma avaliação no início do ensino médio, para elaborar um plano de estudos de acordo com seus objetivos de carreira. A tecnologia, novamente, é usada para avaliar em todos os momentos o que cada aluno já aprendeu e se já está pronto para aprender mais.

Plataforma adaptativa – Existem plataformas tecnológicas de ensino online que ajudam a elaborar e entregar os conteúdos necessários para os diferentes tipos de alunos. José Ferreira, fundador da Knewton, ferramenta que fornece lições de matemática, diz que o volume gigante de informações que sua base de dados oferece, revoluciona o ensino. A plataforma mostra ao professor com agilidade o que os estudantes aprendem, quando erram, no que tem dificuldades e como aprendem e ajuda a elaborar aulas.

Ensino híbrido – Para que cada um possa aprender do seu jeito, também é realizada uma mudança física nas salas de aula e os alunos sentam nas mais variadas formas: sozinhos, em grupos pequenos ou grandes, em frente a computadores ou usando material impresso. Para que esse modelo híbrido funcione, o papel do professor também muda para o de mentor. Segundo Tavenner, das escolas Summit, os docentes acompanham as atividades realizadas em um espaço grande, sem paredes, e orientam os alunos de várias formas: resolvendo dúvidas, questionando, provocando debates, orientando atividades e projetos.

Engajamento – O interesse das crianças é o ponto de partida para o aprendizado na escola de ensino fundamental Quest to Learn, em Nova York. Apoiada pelo Instituto of Play, um estúdio de design sem fins lucrativos, a escola constrói o engajamento dos alunos por meio de jogos. Segundo Waniwski, a lógica dos videogames é apropriada para o aprendizado porque proporciona um ambiente com regras, nas quais há etapas a serem vencidas, mas que tolera erros. Para usar esses elementos, o Instituto of Play tem profissionais especializados em criar jogos educativos que dão suporte aos professores e incentiva também os alunos a inventarem os seus próprios. Outra forma de promover o engajamento é conectar o ensino com a realidade. Essa é a aposta de Melissa Agudelo, reitora de admissões do grupo de 11 escolas High Tech High, de São Diego. “Os alunos precisam ver sentido no que aprendem”, diz.

Educação por projetos – O fim da grade de disciplinas separadas é uma das experiências das escolas High Tech High para tornar o aprendizado mais relevante aos alunos. Segundo Agudelo, os estudantes não são divididos por série, mas sim por nível de habilidade, aprendendo vários conteúdos integrados. Para isso, os professores estimulam alunos a desenvolverem projetos, solucionar problemas, nos quais precisam usar vários tipos de conhecimento.

Fonte: ultimosegundo.ig.com.br

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A escola do futuro e suas faces

Durante o evento Transformar realizado em São Paulo, com a participação de mais de 800 pessoas interessadas na reformulação do ensino para torná-lo mais interessante e relevante para os alunos, a grande questão foi como fazer com que isso aconteça. Mas, ao fim de um dia inteiro de intensos debates, a conclusão a que se chegou é que não há resposta. Há respostas.
“Se você acha que esse sistema que vocês têm hoje é ruim e querem substituí-lo, desistam. Qualquer sistema único vai ser ruim, vocês não têm que encontrar uma solução, mas várias”, disse Melissa Agudelo, diretora pedagógica da High Tech High, rede de escolas norte-americana que busca personalizar o ensino por meio do aprendizado baseado em projetos, uma das tendências apresentadas no evento.
A educação baseada em games, as plataformas adaptativas, o ensino híbrido, os Moocs (cursos de nível universitário, gratuitos e para grande escala) foram outras propostas que estiveram presentes. No infográfico abaixo, veja a lista completa de propostas apresentadas:

Fonte: porvir.org

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O futuro da educação e da tecnologia

A educação vive hoje inúmeras mudanças provocadas pelo avanço da tecnologia. De um lado, a educação tem a responsabilidade de preparar o aluno para um mundo em constante mudança e crescentemente mais complexo. De outro, na prática da sala de aula, as mudanças não ocorrem na velocidade que se espera. O futurista Michell Zappa, brasileiro e cidadão do mundo, que ficou conhecido ao importar as tendências da tecnologias para as mais diversas áreas, tentando antever seus impactos em um futuro próximo, produziu um dos infográficos mais importantes de 2012.

O infográfico tem por objetivo organizar uma série de tecnologias emergentes e que podem influenciar a educação nas próximas décadas.

Em sua proposta, Zappa tem uma linha do tempo até 2040 com seis temas centrais que se subdividem, se entrelaçam e se apresentam em três espaços distintos: as salas de aula, as oficinas e os ambientes virtuais.

A sala de aula é por Zappa entendida como o local onde o paradigma predominante é o de um professor, que se dirige a dezenas de alunos reunidos em um espaço físico.

Em seguida, estão as oficinas, ambientes de ensino-aprendizagem entre pares onde grupos discutem, aprendem e resolvem problemas juntos e onde o professor deve agir como um facilitador. Por fim, aparecem os ambientes virtuais, espaços em que aprendizado, discussões e avaliações ocorrem, não importando a presença física ou a localização geográfica dos envolvidos.

Veja o infográfico:

Fonte: porvir.org

 

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