Escolas Steve Jobs serão inauguradas na Holanda


Maurice de Hond, comentarista político desde a década de 1970 e especialista em tecnologias, conversou com o responsável pela educação de Amsterdã e recebeu a proposta de formatar escolas que fossem mais adequadas às novas gerações. Em agosto, Hond e sua equipe inauguram duas Steve Jobs Schools e outras nove já existentes começam a usar o conceito de introduzir iPads como principal ferramenta do aprendizado.

Insatisfeito com a forma pela qual as escolas na Holanda estavam lidando com o desenvolvimento tecnológico, ele via uma nova geração que já era digitalmente hábil antes de ter que ir à escola. Hond conta que, antes de ver sua filha Daphne, de 4 anos, correr com tanta destreza sobre as telas de tablets e smartphones, havia tido uma experiência muito diferente com cada um de seus quatro filhos. Dois haviam se saído muito bem nos estudos, enquanto os outros dois haviam tido muita dificuldade. “Na época, eu achava que isso se devia às características de cada um. Mais tarde, eu percebi que eles tinham muitas habilidades sofisticadas que não se encaixavam no sistema escolar tradicional, mas que eram muito importantes para suas carreiras. Então eu entendi que o problema não era que meus filhos não fossem bons na escola, mas o sistema escolar não era bom para as qualidades únicas dos meus filhos”, disse o especialista em tecnologia. Ao observar a mais nova e o tanto que ela já sabia antes mesmo de entrar na escola, decidiu-se: “Minha conclusão foi que eu não queria levar minha filha para uma dessas escolas”.

A partir daí, começou o desafio de pensar modelos de escola física e pedagogicamente mais adequados ao mundo atual. Reuniu uma equipe com experiência em educação e colocou às mãos à obra. “Nós desenvolvemos um conceito de escola baseado no fato de que os iPads existem”, diz ele. Assim, nas suas escolas, que atenderão crianças de 4 a 12 anos, todos os alunos terão um desses dispositivos à disposição. As crianças não serão divididas por séries, mas em dois grandes grupos por idade: um de 4 a 7 anos, outro de 8 a 12. “Dentro desses grupos etários, haverá subgrupos com cerca de 25 crianças cada e um professor/tutor. Teremos momentos em que esses grupos estarão juntos fisicamente na escola, mas em outros as crianças estarão em algum lugar do prédio trabalhando em seus iPads ou em alguma sala ou ateliê específico”, explica.

Como os alunos se reunirão em grupos, mas também ficarão muito tempo desenvolvendo projetos e atividades sozinhos, o horário é bem flexível. Todos devem estar na escola no período das 11h às 15h, mas o prédio estará aberto e funcionando das 7h30 às 18h30 para que os alunos possam fazer outras atividades em grupos menores ou trabalhos específicos antes ou depois do horário principal. “A escola virtual não fecha nunca”, completa ele destacando que o iPad permite que as atividades pedagógicas prossigam de casa ou qualquer lugar fora da escola.

Outra abordagem que será muito utilizada é a de aprendizagem com base em projetos. “Você pode ter um projeto sobre um copo de café que inclua componentes de geografia, história, química, biologia e mais. Ao fazer esses projetos – para os quais desenvolvemos um app de gestão que permite a comunicação entre os alunos, os professores e os pais – cada estudante aprende muito mais”, defende.

E para saber o quanto cada aluno avançou e estabelecer metas para o período seguinte, uma conversa entre professor, aluno e pais está prevista para cada cinco ou seis semanas. Isso se torna fácil porque tudo o que os alunos produzem fica registrado em portfólios digitais acessíveis a pais e professores. Também por um programa desenvolvido pela equipe de Hond, o iDesk Learning Tracker, ficam acessíveis as atividades que os alunos realizam nos aplicativos e seus desempenhos com relação ao grupo.

Mas para que os alunos tenham acesso a uma educação tão diferente, um fator tem sido muito importante: o preparo do corpo docente. “Os professores que estão participando estão cientes das mudanças. Nós oferecemos treinamento e formamos uma comunidade de cerca de 100 professores que vão trocar experiências e ajudar uns aos outros. Mas, claro, parte desse caminho ainda é desconhecido”, pondera Hond, que diz vir repetindo aos educadores: “confie nas crianças”, “não queira assumir o controle de tudo” ou ainda “permita que as crianças te surpreendam” para mudar o paradigma atual. “Hoje a criança só aprende o que os professores podem ensinar. Se ela tem talentos fora do escopo do professor, não se pode fazer nada com essa habilidade dentro da escola”.

Fonte: www.porvir.org

FAÇA UM COMENTÁRIO

Veja mais posts

12

O Grupo A é representante exclusivo do Blackboard no Brasil.