Modelos de educação online: MOOCs

Na maior parte dos modelos de oferecimento educacional online utilizados por volta da última década no ensino superior, a solução para os problemas de escala e acesso tem se dado pela duplicação das seções de curso. Contudo, como observado anteriormente, as coisas começaram a mudar com o novo conceito de Cursos Massivos e Abertos Online (Massive Open Online Courses – MOOCs). Em um MOOC, o curso propriamente dito é alavancado em escala a fim de possibilitar que um número essencialmente ilimitado de estudantes recebam formação a partir de membros do corpo docente, que projetam e lideram o curso. O processo de desenvolvimento substitui o conceito de curso mestre e alavanca o potencial natural de escala das ferramentas online.

As bases para os MOOCs foram estabelecidas em 2007-2008, em cursos abertos online ministrados por David Wiley, da Utah State University, e por Alec Couros, da The University of Regina. O nome MOOC foi usado pela primeira vez por Bryan Alexander e Dave Cormier ao se referirem ao curso “Connectivism and Connective Knowledge” (CCK08), liderado por Stephen Downes e George Siemens. Conforme a descrição de Downes:

Muitas das ideias que integram um MOOC já existiam antes do CCK08, mas esse curso marca a primeira vez em que o formato se estabeleceu como um todo. Em particular, poderíamos apontar para o curso Introduction to Open Education de David Wiley, que foi oferecido como um wiki aberto (chamado mais tarde de Wiley Wiki e para o curso aberto ECI831 de Alec Couros – Social Media and Open Education. Esses dois cursos foram influenciados, sem dúvida, por outros trabalhos nessa área – o conceito de educação aberta, no qual Wiley foi um pioneiro, com uma licença anterior mesmo às licenças do tipo Creative Commons, o wiki aberto, que se tornou famoso, obviamente, com a Wikipédia, entre outros.

No entanto, o ramo que mais atraiu a atenção da imprensa foi o de MOOCs da Stanford University, também conhecidos como xMOOCs. Esse ramo foi inaugurado em 2011 pelo curso “Introduction to Artificial Intelligence”, de Sebastian Thrun e Peter Norvig. Após os professores oferecerem o curso de graça para qualquer pessoa no mundo, 160.000 indivíduos se matricularam ao redor do globo. Nesse tipo de MOOC, a tecnologia educacional é usada para replicar online e em escala a típica experiência presencial de sala de aula. O ramo de MOOCs utilizado em Stanford inclui um portal de curso na Web, geralmente em um sistema de gestão de aprendizado (learning management system – LMS) customizado e desenvolvido na própria universidade, a hospedagem com vídeos de sala de aula, temas de casa e avaliações.

Os MOOCs atuais servem para comprovar a viabilidade do conceito, mas eles não resolvem problemas educacionais significativos. Para que os MOOCs se tornem verdadeiramente transformadores para o ensino superior, o conceito precisa atingir as seguintes metas:

  • – Desenvolver modelos de receita que tornem o conceito autossustentável
  • – Oferecer símbolos válidos de conclusão, como credenciais, distintivos ou aceitação em programas com reconhecimento acadêmico
  • – Promover uma experiência e um valor percebido que possibilitem taxas mais elevadas de conclusão (na maioria dos MOOCs atuais, menos de 10% dos estudantes inscritos chegam a concluir o curso)
  • – Conferir certificados aos estudantes para que instituições com reconhecimento acadêmico ou companhias abertas a contratações fiquem satisfeitas em reconhecer a identidade de um estudante

A chave é saber se e como os MOOCs ou seus modelos sucessores serão capazes de tirar proveito da escalabilidade e da abertura atuais e ao mesmo tempo atingir essas quatro metas.

Na análise atual sobre o potencial transformador dos MOOCs, é fácil esquecer que o próprio conceito tem apenas quatro ou cinco anos. Além disso, a definição do conceito propriamente dito passou por uma mudança significativa no último ano. Os dois ramos atuais de MOOCs são protótipos iniciais. Apesar do nome em comum, eles têm objetivos e métodos diferentes. O potencial dos MOOCs dependerá de um maior desenvolvimento de suas técnicas. Os exemplos que buscam superar as quatro barreiras de receita, credenciais, taxas de conclusão e autenticação estudantil acabarão provavelmente determinando a geração futura de MOOCs.

No próximo post da série sobre os modelos de educação online você confere a conclusão do série com algumas lições para as instituições tradicionais.

Fonte: artigo desenvolvido por Phil Hill resumido por Blackboard

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