Direitos e Princípios da Educação On-line

Um grupo formado por 12 especialistas em educação on-line se reuniu para elaborar uma Declaração de Princípios e Direitos da Educação On-line. Durante mais de um mês, eles analisaram os limites éticos do ensino virtual, até onde se pode ir e que valores respeitar. Acreditam que os cursos on-line podem criar oportunidades de aprendizado significativas e em escala. “Estamos cientes do quanto ainda não sabemos: que ainda teremos que explorar todo o potencial pedagógico do aprendizado on-line, o quanto isso pode mudar a forma com ensinamos, aprendemos e nos conectamos”, disseram os especialistas.
Confira, a seguir, o infográfico que resume a declaração e sua explicação:

DIREITOS
Na nossa cultura, o aprendizado, o desaprendizado e o reaprendizado são fundamentais para a nossa sobrevivência e prosperidade, assim como respirar. Por isso, acreditamos que todos os estudantes têm direitos inalienáveis que se transferem para novos e emergentes ambientes digitais. Eles incluem:
Direito ao acesso
Todos devem ter o direito de aprender: estudantes tradicionais, estudantes não tradicionais, adultos, crianças e professores, independentemente de gênero, raça, classe social, orientação sexual, situação econômica, nacionalidade, condições físicas em qualquer lugar do mundo. A aprendizagem on-line tem o potencial de garantir que este direito seja uma realidade para uma maior porcentagem da população mundial, algo antes impossível.
Direto à privacidade
A privacidade dos alunos é um direito inalienável, não importando o lugar onde o aluno aprenda, seja física ou virtualmente.
Direito de criar conhecimento público
Aprendizes em comunidades digitais e globais têm o direito de trabalhar, organizar-se em rede e contribuir para o conhecimento público; partilhar suas ideias e seu aprendizado de forma visível e conectada, se assim o desejarem.
Direito à propriedade intelectual
Os estudantes também têm o direito de criar e ter propriedade intelectual e dados associados a sua participação em cursos on-line.
Direito à transparência financeira
Os estudantes têm o direito de saber como a sua participação suporta a saúde financeira do sistema on-line do qual faz parte. Eles têm o direito à justiça, à honestidade e a uma contabilidade financeira transparente. Isso também deve ser verdade para os cursos gratuitos.
Direito à transparência pedagógica
Os estudantes têm o direito de entender os resultados esperados de um programa ou de uma iniciativa on-line.
Direito à qualidade e ao cuidado
Estudantes têm direito ao cuidado, à diligência, comprometimento, honestidade e inovação.
Direito de ter professores excelentes
Todos os alunos precisam de professores reflexivos, facilitadores, mentores e parceiros na aprendizagem; precisam também de ambientes de aprendizagem atentos às suas metas e necessidades específicas.
Direito de ser professor
Em um ambiente on-line, professores não precisam mais ser as únicas autoridades. Em vez disso, devem compartilhar responsabilidades com os alunos.

PRINCÍPIOS
Os pontos que se seguem são os princípios para os quais o aprendizado on-line deveria apontar. O mérito de cursos específicos, programas e iniciativas podem ser julgados pela adesão a esses princípios. Seu sucesso também pode ser medido pelo incentivo a estudantes e professores para que busquem e criem ambientes de aprendizado digital que fortaleçam esses princípios.
Contribuição global
O aprendizado on-line deveria emergir de todo o mundo, não apenas dos EUA e outros países tecnologicamente mais avançados. Os melhores cursos serão globais em design e colaboração, oferecendo perspectivas múltiplas e envolvendo vários países.
Valores
O aprendizado on-line pode servir como um meio para desenvolver habilidades. Ele também pode dar o suporte para o aperfeiçoamento, o envolvimento da comunidade, o desafio intelectual ou a diversão. Todas estas funções são válidas.
Flexibilidade
Os estudantes devem ter opções para o aprendizado on-line. Elas não devem ser apenas uma cópia dos cursos das universidades convencionais.
Aprendizado híbrido
Sem amarras a tempos ou espaços, a aprendizagem on-line deve estar conectada com vários locais do mundo, e não exclusivamente localizada no mundo digital.
Persistência
O processo de aprendizagem acontece ao longo da vida, e não apenas em um período específico. A aprendizagem começa em um playground e, ao longo da vida, continua em outros playgrounds, em espaços individuais e compartilhados de trabalho, em comunidades. A aprendizagem até pode ser avaliada, mas não deve se voltar exclusivamente para a avaliação.
Inovação
As inovações técnicas e pedagógicas devem ser a marca dos melhores ambientes de aprendizagem. O aprendizado on-line deve ser flexível, dinâmico e individualizado, em vez de enlatado ou padronizado.
Avaliação formativa
Os alunos devem ter a oportunidade de rever e reaprender até atingir o nível de domínio desejado em um tema ou uma habilidade. Em termos pedagógicos, isso significa dar ênfase a uma avaliação individualizada e a ser completada em um tempo específico. Da mesma forma, os professores devem usar a avaliação para melhorar suas práticas em sala de aula.
Experimentação
Experimentação deve ser uma base reconhecida e benéfica da aprendizagem on-line. Os alunos devem estar aptos a experimentar um curso e abandoná-lo sem que isso incorra em rótulos pejorativos, tais como insuficiência.
Civilidade
Os cursos devem incentivar a interação e colaboração entre os estudantes, onde quer que isso agregue à experiência de aprendizado. Programas ou iniciativas de aprendizagem on-line têm a responsabilidade de compartilhar contribuições em uma atmosfera de integridade e respeito.
Brincadeira
A educação on-line aberta deve inspirar o inesperado, a experimentação e o questionamento – em outras palavras, incentivar a brincadeira. Brincar permite a familiarização com as coisas novas, o aperfeiçoamento de novas habilidades, a experimentação dos movimentos e, mais importante, abertura para abraçar a mudança – um ponto-chave para o sucesso no século 21.

Fonte: porvir.com

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