Jovens precisam criar, não só interagir com tecnologia, diz especialista

Michel Resnick é diretor do Lifelong Kindergarden Group do Laboratório de Mídia do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que pode ser traduzido literalmente como “Grupo de jardim de infância para a vida inteira”. O objetivo do grupo é replicar os métodos de ensino criativo que vivenciamos no jardim da infância nas outras fases da vida. Entre os projetos dele estão um software gratuito de programação que visa estimular a criação (e compartilhamento) de histórias e jogos pelos usuários ao redor do mundo.

Resnick esteve no Brasil e conversou com a BBC Brasil por telefone:

BBC Brasil: A partir de seus estudos, que habilidades acha mais importantes para as profissões do futuro?

Mitchel Resnick: Em nossos projetos, colocamos ênfase em ajudar os jovens a pensarem de forma criativa, raciocinarem de forma sistemática e trabalharem de forma colaborativa. São todas habilidades essenciais para a sociedade atual e para obter sucesso.

E destaco especialmente o pensar de forma criativa, porque vivemos em um mundo em que as coisas mudam mais rapidamente do que nunca em nossa história. Sabemos que as crianças de hoje vão se deparar com muitas situações inesperadas em suas vidas e precisarão pensar e reagir criativamente a isso. E, para estimular essa criatividade, precisamos dar às crianças a chance de criar e desenvolver essa habilidade.

Como então, estimulá-las?

Mitch Resnick: Desenvolvemos tecnologia e estratégias para que os estudantes criem, experimentem e colaborem entre si. Uma dessas tecnologias é um kit robótico (desenvolvido com uma fabricante de brinquedos) para ser montado e programado pelas crianças.

O software de programação Scratch também permite que as crianças programem suas próprias histórias, jogos e animações interativos e as compartilhem entre si. Elas agora são parte de uma comunidade global, podem trocar experiências e aprender umas com as outras.

Nesse processo, elas aprendem a pensar de forma criativa, raciocinar de forma sistemática e trabalhar de forma colaborativa.

A maioria das coisas em que trabalhamos na vida são projetos. Então (também) é preciso aprender a gerenciar projetos – começar com uma ideia e levá-la até uma conclusão. E isso passa por agregar ideias das diversas disciplinas que aprendemos.

Fora do ambiente escolar, pais podem estimular os filhos a desenvolver essas habilidades?

Mitchel Resnick: Certamente. É importante que pais incentivem seus filhos a criar, projetar, experimentar, explorar e pensem nisso ao comprar brinquedos.

Mas esses brinquedos sequer precisam ser tecnológicos, como programas ou robôs. Blocos de montar, lápis de cor já estimulam a criatividade.

E, ao expor as crianças a novas tecnologias, os pais devem pensar: essa tecnologia está colocando meu filho em uma posição de comando? Porque não queremos que a tecnologia seja a força de comando, mas, sim, a criança. Para que a use de forma a desenvolver pensamento criativo, sistemático e colaborativo.

Em uma de suas entrevistas, o senhor falou que é como se conseguíssemos “ler”, mas não “escrever” com a tecnologia.

Mitchel Resnick: Muitas crianças hoje têm acesso às novas tecnologias, estão muito à vontade com elas, usam de muitas formas diferentes. Mas em geral esse uso envolve navegar (na internet), conversar e jogar jogos.

Ou seja, elas interagem com a tecnologia, mas muitas vezes não sabem projetar, experimentar ou criar com ela.

E é correto dizer que mais empregos futuros dependerão dessas habilidades?

Mitchel Resnick: Sim, é correto, mas não se trata apenas disso. Isso é importante não apenas para empregos, mas também para (que a criança seja) um agente ativamente participante da sociedade futura, seja em seu ambiente de trabalho, em sua comunidade ou em sua vida pessoal.

Aprender a expressar suas ideias é muito importante. E usar as tecnologias para expressar suas ideias vai se tornar cada vez mais importante.

Além disso, ao aprender a programar, você aprende novas formas de articular, refinar e compartilhar essas ideias. Você se torna uma parte mais ativa da sociedade, pessoas que pensam melhor, inovam e são e capazes de articular suas ideias. E todo o mundo precisa disso.

No Brasil há dados indicando melhoras no ensino fundamental público, mas não tanto no ensino médio, que ainda tem taxas consideráveis de evasão escolar. Uma teoria é de que a escola é considerada pouco interessante e de pouco uso prático para jovens dessa idade. Como podemos estimular esses jovens a se interessar pela escola?

Mitchel Resnick: Precisamos estimular jovens a trabalhar em projetos que estimulem seu interesse e sua paixão. Vemos que quando jovens trabalham em coisas com as quais se importam, eles se dispõem a se esforçar e investir tempo, eles perseveram.

Infelizmente, a maioria das escolas não lhes oferece essa oportunidade.

Adaptado via BBC

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Professor é chave para o sucesso no uso de tecnologia na sala de aula

Considerado um caminho sem volta por especialistas em educação, o uso das tecnologias em sala de aula depende essencialmente dos professores para dar certo. É por isso que eles se tornaram o grande alvo dos programas atuais do Ministério da Educação para promover o aproveitamento de ferramentas tecnológicas nas escolas.

Das primeiras experiências com a distribuição de laboratórios de informática à mudança de estratégia depois do projeto piloto do Um Computador por Aluno, a formação de professores para o tema não perdeu força. O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo), que centraliza as estratégias do governo federal na área, capacitou 644.983 docentes desde 2008.

De acordo com o Ministério da Educação, todos os cursos solicitados por estados e municípios para capacitação de educadores para o uso de tecnologias em sala de aula continuam sendo financiados. Só este ano, a expectativa é de que 4,9 mil professores façam os cursos, ministrados em 845 Núcleos de Tecnologia Educacional estaduais.

As experiências – bem sucedidas ou não – mostraram que, se o professor não se apropriar das tecnologias e perceber os ganhos reais para a prática pedagógica com as ferramentas, elas se tornam apenas um amontoado de caixas nas escolas. Para o professor Gilberto Lacerda, do Departamento de Métodos e Técnicas da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), o professor é o ator central do processo de inserção das tecnologias na escola.

“Mesmo que todos os alunos tenham computadores, se o professor não é capaz de fazer uma relação educativa consistente do seu trabalho e as ferramentas, nada funciona. O professor é o elemento mais importante, porque ele é quem dá o sentido pedagógico às coisas. Qualquer recurso tecnológico tem de ser dominado por ele primeiro”, afirma o pesquisador.

 

Tablets para docentes

Desde 2012, o MEC passou a investir em outra iniciativa para modernizar a sala de aula: os tablets. Os equipamentos portáteis, com tela de 7 ou 10 polegadas, têm visor multitoque, câmera e microfone embutidos e serão distribuídos para os professores. Quando chegam às mãos dos docentes, já estão carregados de materiais multimídia.

“Estamos distribuindo tecnologias que, integradas, podem facilitar o dia a dia do professor. O tablet dá acesso a conteúdos digitais e mobilidade”, garante a diretora de Formulação de Conteúdos Educacionais do MEC, Mônica Gardelli Franco. Junto com os tablets, a proposta prevê a entrega de lousas eletrônicas, que possam se comunicar com os equipamentos do professor, ou computadores e projetores.

Os primeiros professores a receberem os tablets serão os do ensino médio. Até julho de 2013, o governo federal bancou 378 mil equipamentos e os estados adquiriram outros 347 mil. Só o MEC investiu R$ 115 milhões. Da mesma forma que no UCA, o ministério realizou um pregão nacional para ajudar estados e municípios interessados em espalhar os equipamentos para professores de outras etapas ou até para alunos a baratear custos com a aquisição.

Para participar da primeira leva de distribuição dos tablets financiados pelo governo federal, as redes de ensino precisavam contemplar escolas urbanas de ensino médio, ter internet banda larga, laboratório do Proinfo e rede sem fio (wi-fi). Os contratos são assinados pelas próprias empresas e as redes estaduais de ensino e o tempo de entrega depende disso.

Dados do ministério mostram que, no primeiro semestre, 275 mil tablets foram distribuídos às redes. Entre a compra e a entrega, é exigido um tempo para carregamento de materiais didáticos nos equipamentos e dispositivos de segurança. Além da formação já oferecida pelo Proinfo, a partir do segundo semestre, o MEC vai abrir um curso de especialização de 360 horas em Educação para Cultura Digital.

 

Dentro e fora da sala de aula

Uma pesquisa divulgada em maio deste ano pelo Comitê Gestor da Internet quebrou um dos grandes mitos ainda usados como argumento para explicar o pouco uso de tecnologias na sala de aula: a falta de conhecimento do professor. Segundo o estudo TIC Educação 2012, que entrevistou 1,5 mil professores de 856 escolas de todo o país, os docentes utilizam sim a internet em suas atividades diárias e reconhecem benefícios na utilização desses materiais.

Grande parte das dificuldades, reconhecidas pelos próprios professores e apontadas pelos pesquisadores, está na adaptação do uso das tecnologias às rotinas. “Professores são cidadãos de dois mundos: usam as tecnologias fora da escola, frequentam blogs, redes sociais e, dentro da escola, não sabem como usá-las de maneira pedagógica”, afirma Lacerda.

Na opinião de Marcelo Pinto de Assis, formador do Núcleo de Tecnologia Educacional de Taguatinga, no DF, responsável pela formação dos professores, seria importante ter coordenadores para auxiliar os docentes na elaboração de atividades em todas as escolas. “A aprendizagem e a utilização melhorariam muito”, diz.

Em um dia de formação de educadores da rede do DF, professores relataram que entendem a importância da tecnologia para “não fugir da realidade dos alunos”. Mas admitiram que ainda não vêem quais as diferenças entre o notebook – que haviam recebido há pouco tempo – e os tablets no cotidiano escolar.

“Na sala, o tablet não funciona. A internet é lenta, ele é lento, não conseguimos baixar os aplicativos. O que ganhei está guardado, porque já tenho notebook. Não conheço ninguém que está usando em sala”, afirma a professora Ana Lúcia Bontempo, do Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte (CEMTN).

 

Falhas na formação

Lacerda critica a falta de disciplinas, ainda dentro dos cursos de graduação, que preparem os professores para esse novo mundo. Lacerda ressalta que, enquanto governos mudam políticas, distribuem diferentes tecnologias às escolas, os currículos dos cursos de graduação se mantém os mesmos.

“Os professores em exercício não foram preparados para usar tecnologias digitais em sala e os que ainda estão na graduação também não estão sendo preparados. A educação continuada não resolve uma falha de formação inicial. As faculdades de educação das universidades deveriam ser verdadeiros laboratórios de inovação pedagógica”, critica.

Na pesquisa do Comitê, os professores entrevistados apontam as mesmas críticas. Apenas 44% deles disseram ter cursado alguma disciplina sobre uso do computador e internet e 79% afirmaram que o apoio para o desenvolvimento dessas habilidades vem de outros educadores e leitura. Quando há resistências dos docentes, os argumentos são a falta de tempo e o medo de eles terem menos conhecimento da ferramenta que os alunos.

Eliane Carneiro, coordenadora de mídias educacionais da Secretaria de Educação do Distrito Federal, conta que as formações oferecidas na rede são voluntárias. A proposta dos encontros, organizados pelos NTEs, é ajudar o professor a adaptar as ferramentas aos componentes curriculares.

Este ano, no DF, foram distribuídos 3.051 tablets para os professores do ensino médio. Para aproveitar todas as funcionalidades, Eliane reconhece que é preciso melhorar a infraestrutura das escolas, especialmente de internet, e adquirir telas interativas para as salas de aulas. “Há professores usando os equipamentos em sala, mas ainda é muito pessoal. Precisamos de mais tempo para colher resultados”, pondera Eliane.

Adaptado via Último Segundo

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Tecnologia avança na sala de aula, mas falta material didático adequado

O desenvolvimento de materiais didáticos digitais não tem acompanhado a criação e a adaptação de ferramentas tecnológicas para as salas de aula. Computadores deram lugar a notebooks, já em substituição por tablets, mas a disponibilidade de conteúdos didáticos não cresce na mesma velocidade, nem aproveita todo o potencial das ferramentas.

A carência de materiais adequados a todas essas ferramentas é considerada outro entrave para o aproveitamento total das tecnologias em sala de aula. A constatação, do próprio Ministério da Educação, fez com que o Governo Federal decidisse investir na produção de conteúdos educacionais digitais.

Segundo Mônica Gardelli Franco, diretora de Formulação de Conteúdos Educacionais do Ministério da Educação, responsável pela área, há um esforço para integrar todos os conteúdos já produzidos pelo ministério e outros ainda em produção a todas as ferramentas disponíveis. Nessa lista, está o conteúdo preparado para projetos como TV Escola, Portal do Professor, Revista Escola, e-Proinfo e Sala do Professor.

“Estamos trabalhando com o objetivo de produzir conteúdo para qualquer plataforma, não só TV, computador ou tablet. Nosso esforço é produzir um aplicativo para acessar esse conteúdo em qualquer equipamento, inclusive em smartTV, aplicativos para tablets e celulares”, conta.

Esses materiais estão divididos em quatro temas: para ver, para estudar, para ler e para interagir. A proposta é que os professores consigam abrir os programas da TV Escola no celular ou tablet, por exemplo, exibir aos alunos e depois utilizar os jogos e simuladores produzidos a partir dos programas.

“Uma das cobranças atreladas ao UCA foi a produção de conteúdos. Há muita coisa disponível, mas não necessariamente elas estão adequadas para o uso em sala de aula. Isso dá liberdade para o professor criar seus próprios conteúdos, mas o aproveitamento será melhor se ele já tiver isso disponível, porque essa adequação exige muito tempo”, comenta.

Além disso, o MEC incluiu no Programa Nacional do Livro Didático para 2014 a exigência para as editoras de produzirem versões digitais dos livros. O material não pode ser uma simples cópia do livro impresso – algo que aconteceu bastante com a produção digital no início da popularização das tecnologias – e deve oferecer vídeos, simuladores e outras ilustrações.

 

Conteúdo próprio

Há dois anos, o Centro Educacional Sigma, em Brasília, decidiu iniciar uma experiência com o uso de tablets no ensino médio. A direção queria aliar ganhos ao aprendizado e diminuir a quantidade de livros nas mochilas dos alunos. A primeira dificuldade encontrada por eles foi justamente a falta de material didático adequado à ferramenta.

Não encontraram no mercado mais do que livros impressos convertidos em arquivo digital e decidiram criar os próprios conteúdos. Além dos textos, há vídeos, gráficos animados, músicas, jogos nos aplicativos que os estudantes baixam no começo do ano, antes do início das aulas. Segundo a direção da escola, o trabalho foi intenso, mas valeu a pena.

Os estudantes adquirem os tablets e os conteúdos, que hoje são usados por todas as turmas de 1º e 2º anos do ensino médio da escola. Eles não podem ficar conectados à internet durante as aulas e precisam já levar o material atualizado no tablet. Agora, os professores circulam mais pela sala para fiscalizar e interagir com os alunos do que antes.

Eli Guimarães, coordenador da área de Redação do colégio, conta que os alunos se tornaram mais interessados no conteúdo, aprendem mais rápido e fazem mais conexões entre disciplinas distintas. Para o professor, o livro passou a ser mais usado e explorado nas aulas. Além disso, a postura dos docentes mudou.

“O professor tem de ouvir mais o aluno, que confronta os conteúdos”, pondera. Ele acredita que os colégios não podem perder a oportunidade de usar a ferramenta na rotina escolar. “O aprimoramento que ele permite para o conhecimento didático impressiona. A grande mudança do modelo é a construção colaborativa do conhecimento”, define.

Os estudantes Luís Carlos Moura Guimarães, 15 anos, Fernanda Carvalho e Luiz Philippe François Cormier de Araújo, ambos de 16 anos, contam que as experiências com tecnologias em sala de aula eram raras antes dos tablets. As televisões disponíveis em todas elas eram pouco utilizadas. Visitas ao laboratório de informática também.

Quando foram avisados de que participariam da primeira da experiência da escola com os tablets, em 2011, Fernanda e Luiz Philippe ficaram receosos. Eles temiam, apesar da familiaridade com a tecnologia, não se adaptarem ao novo modelo de aulas. “Em uma semana eu estava adaptado”, conta Luiz Philippe.

Para Fernanda, a maior vantagem foi ter “esquecido” de que estava entrando em outra fase, o ensino médio. “Deixei de me assustar com isso, estávamos envolvidos com os tablets”, diz. Agora, para eles, não dá para imaginar a rotina sem os equipamentos. Eles contam que o conteúdo é sempre atualizado, inclusive com eventos do momento.

O professor Eli lembra que essa é uma das grandes vantagens do material digital: pode ser atualizado rapidamente e de maneira simples. “As correções são importantes e também o aprimoramento. Essa agilidade de atualização é mais condizente com o que vivemos na sociedade hoje. Estamos em avaliação, mas tem sido muito positivo”, afirma.

“O material no tablet facilitou a nossa vida. Havia coisas que pareciam muito abstratas e se tornaram concretas”, afirma Luís Carlos. Processos biológicos em células, por exemplo, que podem ser assistidos em vídeos no aplicativo da escola. Eles elogiam as mudanças e garantem que, com a nova ferramenta, as aulas ficaram mais dinâmicas e atrativas.

 

Adaptação nas editoras

Forçadas a mudar, as editoras de livros didáticos tradicionais estão adaptando seus materiais. Nos sites da maioria das grandes produtoras de conteúdo didático, é possível encontrar espaços destinados a quem adquiriu material impresso para acessar conteúdo exclusivo. Jogos, animações e simulações são as ferramentas mais comuns.

Fernando Fonseca Junior, esse é um caminho sem volta: “As pessoas já estão imersas em um mundo digital nas suas vidas pessoais, não faz mais sentido isso estar fora da sala de aula. O livro didático tem de ser relido. Nossa editora quer estar à frente desse processo e entregar novas formas de organização de conteúdo que potencializem processo de ensinar e aprender”, afirma.

 

Adaptado via Último Segundo

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Veja quais aspectos nas universidades a tecnologia ainda pode melhorar

A tecnologia se transformou em uma das mais eficazes e completas soluções para professores e instituições de ensino. Entretanto ainda é possível encontrar alguns problemas que poderia ser resolvidos por dispositivos eletrônicos e softwares, principalmente nas universidades.

Confira quais são essas questões:

1 – Grupos de estudo

Ainda é comum encontrarmos grupos de estudantes fazendo trabalhos e pesquisas em bibliotecas ou utilizando computadores. Porém, hoje em dia, existem diversos programas que permitem que os alunos façam essa mesma atividade sem precisar sair de casa. Fazer trabalhos e pesquisas em grupo, além de facilitar a comunicação, permite que os integrantes tenham sempre com eles todos os documentos necessários, além de não dependerem de um espaço físico para o encontro.

2 – Entrar em contato com o professor

Ainda hoje, alguns alunos, quando precisam falar ou perguntar algo para um professor, ficam esperando eles passarem pelo corredor ou na saída da sala dos professores. Isso deveria ser passado: atualmente existem programas e sites que facilitam o contato entre ambas as partes. Caso você não queira testar nada inovador, tenha uma lista com todos os e-mails dos seus professores. Quando você tiver algum problema, mande uma mensagem para ele.

3 – Feedback

O feedback é importante na educação, tanto para professores quanto para alunos. Entretanto, nem sempre o educador terá tempo suficiente para falar pessoalmente com cada um dos estudantes. Nesse caso, é possível utilizar programas que facilitam o contato, pois, assim, professores podem aproveitar fins de semana e outros momentos em que eles não se encontram na instituição de ensino para dar o feedback.

Adaptado via Unversia

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Coparticipação é a chave das escolas democráticas

Em escola democrática todo mundo é responsável por tudo. Por isso que na Politeia, escola localizada na zona oeste de São Paulo, quando Nina, de 6 anos, passou saltitando e caiu, os meninos mais velhos correram para socorrê-la e a trouxeram carregada. Também por isso, na hora de decidir como seria o acantonamento, dia em que os alunos trariam seus colchonetes para passar a noite na escola, todos eles, os pequenos de 6 a 9 anos, e os grandes, de 12 a 14, se reuniram em assembleia para decidir que atividades fariam, quantas pizzas seriam necessárias, que filme assistiriam na sessão de cinema. Valeu o voto da maioria.

Mas a Politeia não está sozinha na aposta em um ensino que valoriza a coparticipação de alunos e educadores na decisão de assuntos da escola, na relação próxima com a comunidade e no aprendizado construído a partir dos interesses das crianças. O modelo, que teve seu primeiro exemplo ainda em 1852 com a escola Iaslaia Poliana, do russo Liev Tolstoi, vem ganhando mais força nos últimos anos. “Sem dúvida nenhuma, as escolas democráticas são uma tendência”, diz Helena Singer, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz e autora do livro República das Crianças.

E essa tendência, explica Helena, ocorre porque as abordagens propostas pelo modelo tradicional não estão dando conta das necessidades contemporâneas, ao passo que as escolas democráticas têm se mostrado uma alternativa válida nesse quesito. “As dinâmicas de trabalho em equipe e de realização de projetos segundo os interesses dos alunos estão no DNA dessas escolas. É isso que o mercado e a vida real requerem.” Apesar de cada instituição ter sua fórmula, a especialista aponta dois pontos que costumam estar presentes em todas elas: as assembleias, para decisão coletiva de assuntos de interesse comum dos estudantes, e a liberdade curricular, que permite que os alunos sejam mais autônomos naquilo a que vão se dedicar.

Nas assembleias, a escola se reúne – alunos, professores e demais educadores – para colocar em pauta questões comuns, resolver conflitos em uma espécie de tribunais informais com poder até de definir punições, ditar as regras do lugar e analisar as exceções a elas. “Se eu quiser propor que eu não deva enfrentar fila para almoçar, eu posso. Aliás, eu fiz isso”, diz o engenheiro Augusto Cognotti, que acaba de voltar da experiência de ter sido professor de ciências na britânica Summerhill. A instituição, que aos 91 anos usa o mote de ser “a democracia infantil mais antiga do mundo em funcionamento”, é um internato.

Lá, professores e alunos vivem em comunidade e, claro, enfrentam a mesma fila na hora do almoço. Augusto conta ter proposto que, em determinado dia da semana, ele pudesse furar fila porque terminava tarde a última aula da manhã e começava cedo a primeira da tarde.

Os alunos ouviram, acharam justo e, daquela assembleia em diante, ele não precisou mais enfrentar a fila em um dia específico da semana. Como o professor brasileiro, qualquer aluno pode colocar em pauta o direito de infringir alguma lei, desde que tenha um bom motivo para isso. “Quando os alunos percebem que têm o direito de propor, eles ficam maravilhados”, afirma Augusto.

Quanto à liberdade curricular, também não há um modelo único, até porque as legislações locais podem ser mais ou menos permissivas. Mas, no geral, as escolas apostam no aprendizado por projetos ou nas chamadas “trilhas educativas”. Nos dois casos, os alunos assumem a responsabilidade de conduzir seu aprendizado – que pode ser uma pesquisa sobre um tema ou o desenvolvimento de um produto. Os professores das diferentes disciplinas dão orientações e tentam aproximar os projetos dos conteúdos que lhes cabe.

Osvaldo de Souza, gestor da Politeia, diz que a preocupação é dar aos alunos condições de, autonomamente, ir atrás do próprio aprendizado. “Nós ajudamos as crianças a desenvolverem habilidades de pesquisa para que as crianças saibam lidar com as informações do mundo”, diz ele. Se, por acaso, algum assunto for trabalhado superficialmente e esse conhecimento for cobrado do aluno no futuro, Osvaldo está convicto de que ele terá segurança para saber onde encontrá-lo.

Em alguns casos, as escolas fazem grupos multissérie, também orientados pelo interesse. Neles, alunos mais velhos e mais novos interagem, aprendem empaticamente uns com os outros. Esse modelo, adotado pela Politeia, se baseia na Escola da Ponte, inciativa portuguesa que inspirou muita gente por aqui. Só em São Paulo, exemplos de escolas que compartilham a ideologia são a Lumiar, a Teia Multicultural, o Projeto Âncora, o Cieja Campo Limpo e as municipais Presidente Campos Salles e Desembargador Amorim Lima.

Internacionalmente, não há uma contagem oficial de quantas escolas democráticas existem no mundo – até porque não há um modelo único. Mas especialistas acreditam que sejam cerca de 500.

Adaptado via Porvir

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