As 6 tendências comuns das universidades em 2020

A educação vive momentos de ruptura com sistemas que têm se mostrado inadequados para a realidade do século 21. É a tecnologia sendo absorvida organicamente por alunos e prometendo melhorar as oportunidades de aprendizado. E essa efervescência, que chega com força às escolas, não deixou as universidades de fora. A CIO da Blackboard,  Katie Blot, estudou as tendências que têm observado na educação e tentou prever o que será comum para as universidades em 2020. “Fizemos uma lista só de seis tendências. Mas tem muita coisa acontecendo na educação, em diferentes países”, afirmou ela ao Porvir. Veja, a seguir, a lista das tendências para o ensino superior apontadas por Blot, com os comentários e dados trazidos pela especialista:

1. Educação global- Para Blot, a educação tem se tornado uma prioridade para muitos países e as barreiras geográficas têm desaparecido. “As pessoas poderão consumir educação de diferentes lugares. E eu não estou falando de Moocs [cursos on-line, normalmente de nível superior, dados de graça]. Estou falando de sistemas de educação tradicionais”, diz ela. Segundo a especialista, as instituições têm se conectado com outras e facilitado a ida de seus estudantes para outros países. “Parece que estamos nos encaminhando para uma situação em que mais alunos vão complementar sua educação com estudos feitos internacionalmente. Temos percebido uma tendência de instituições de diferentes países firmarem parcerias”, complementa.

2. Modelos alternativos- De acordo com Blot, a tecnologia tem facilitado a avaliação de resultados e, em muitos casos, tem escancarado desempenhos muito ruins. Assim, afirma ela, existe um sentimento geral de que é preciso tentar coisas novas. “No futuro vamos ver muita experimentação em educação, não necessariamente em um único modelo. Não vamos mais ter ‘o modelo de educação dos EUA’ ou ‘o modelo francês de educação’. O que vamos ver é que a educação precisará desenvolver uma miríade de diferentes modelos que podem ser usados juntos por diferentes atores”, diz ela.

3. Voltada para as necessidades do aluno- O trabalho de Blot na Blackboard a faz conviver com diferentes universidades. Sua percepção é que está havendo uma mudança do foco do ensino. Primeiro, afirma ela, as instituições ofereciam uma aprendizagem muito voltada para as suas necessidades ou para as necessidades de seu programa ou de um curso específico. Agora, ela acredita que o estudante está no centro dos processos de ensino e aprendizagem. “O que vamos ver é uma educação centrada no estudante. No futuro, os alunos vão deixar de ouvir as instituições dizerem: ‘Isso é o que você tem que estudar, esse é o seu caminho, aqui estão suas notas e seu certificado’. Os alunos vão assumir a responsabilidade e poderão dizer: ‘o caminho que eu quero é esse’”, afirma Blot. A especialista ainda destaca o papel dos Moocs na personalização do ensino. “As experiências de educação formal e informal estarão juntas, com os Moocs, por exemplo. É um processo de individualização dos cursos, em que o aluno vai fazer com que a sua experiência seja diferente da do colega. Os alunos vão reunir créditos das mais diferentes fontes”, sugeriu ela.

4. Revolução on-line e tecnológica- Esta quarta tendência é chamada de “quase óbvia” por Blot. A presença de recursos digitais e tecnológicos nas salas de aula já existe, mas, para a especialista, nos próximo anos haverá uma mudança de perspectiva e de importância dada para as aulas on-line. “Estamos caminhando para um futuro em que o on-line não será mais suplementar, mas se tornará parte do curso. É engraçado ver crianças de 4 ou 5 anos interagindo com tecnologia. Vendo os pequenos, fica claro que a tecnologia vai desempenhar um papel cada vez mais importante”, afirma ela.

5. Alunos não tradicionais- Blot cita um dado do National Center for Education Statistics, órgão dos EUA responsável por estatísticas em educação, que diz que, até 2020 os “estudantes tradicionais” serão apenas 15% do total, contra 85% de alunos não tradicionais. De acordo com os critérios do órgão norte-americano, são considerados estudantes não tradicionais alunos que satisfazem ao menos uma das características: matriculam-se tarde (completam os estudos fora da idade esperada), trabalham 35 horas ou mais, são arrimos de família, são pais ou mães solteiro(a)s, optam por sistemas de ensino diferentes do tradicional presencial, dentre outras características.

6. Big data- A última das tendências apontada por Blot foi o uso de dados e das ferramentas de analytics para facilitar decisões pedagógicas. “Nos EUA, a educação está sendo uma das últimas indústrias a usar dados para orientar as tomadas de decisão. Já estamos vendo professores usarem alguns dados para modificar a forma como ensinam. Mas o big data mesmo ainda está chegando: sabermos como instituições têm ido, o que podemos aprender sobre por que um estudante é bem sucedido. Além disso, o big data traz uma cultura de análise para a tomada de decisão”, diz ela.

Fonte: Porvir

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