A tecnologia como uma “locomotiva de mudanças”

A tecnologia pode ser a locomotiva de mudanças'

Há uma ideia que permeia tanto as opiniões de críticos, quanto de entusiastas do uso da tecnologia em sala de aula: Não basta haverem tablets ou lousas eletrônicas nas salas – que representam investimentos altos – se não houver um projeto educacional. É necessário que a tecnologia ajude concretamente na aprendizagem.

Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação, acredita que essa concepção tem evoluído nos últimos anos. “A vantagem é que para ter um projeto que funcione bem é preciso mexer em vários outros fatores, como ter um currículo definido, formar o professor, mudar o espaço físico”, diz ela. “A tecnologia, nesses casos, é a locomotiva de mudanças que puxa outros vagões, e isso é a transformação.” A diretora diz que, assim como nas experiências internacionais, é necessário investimento na consolidação das ferramentas.

A utilização da tecnologia em escala no Brasil começa exatamente na definição clara de como a tecnologia vai ajudar no aprendizado, segundo Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. “O segundo desafio é construir a implementação em conjunto com professores e equipe gestora para que o projeto tenha sentido na escola e seja efetivamente incorporado no dia a dia dos alunos. Muitas das inovações acabam não conseguindo chegar na ponta, pois esta costura não é feita adequadamente“, afirma ele, que lembra ainda as dificuldades de infraestrutura. “A questão de conectividade não é uma realidade nas escolas brasileiras.”

Apesar da informatização não ser uma realidade nas escolas, houve uma mudança no centro do debate. Enquanto na década de 1990 a preocupação era levar as máquinas às escolas, o que se impõe hoje é a chegada da cultura digital na sala de aula. “Ou a escola inserida na cultura digital”, como diz Guilliana Bianconi, coordenadora de projetos do Instituto Educadigital.

A internet e o acesso à informação fazem com que os alunos cheguem às escolas com outras habilidades e, segundo Giulliana, a discussão da tecnologia não é mais só uma questão de ferramenta. “Essa cultura digital, da construção, compartilhamento e remix, é muito mais enraizada na sociedade. E a escola, como um ambiente para aprender, ficou esvaziada.” Segundo ela, em uma realidade em que muita gente ainda não tem acesso à tecnologia e internet, o problema da educação se torna ainda maior. “É um grande desafio para que as distâncias na educação não fiquem ainda maiores.”.

Adaptado via Estadão

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